sábado, 27 de junho de 2026

18º Capítulo da OFSE - Rio de Janeiro - RJ - Igreja Metodista no Grajaú.

 


Memória, Comunhão e Celebração: 

O XVIII Capítulo da OFSE no Ano Jubilar Franciscano

No último dia 13 de junho de 2026, a Igreja Metodista do Grajaú, no Rio de Janeiro, tornou-se um refúgio de profunda comunhão e reflexão cristocêntrica durante o XVIII Capítulo da OFSE (Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos). O encontro, que reuniu mais de 30 pessoas, foi um marco de unidade e fé, contando com a presença preciosa de irmãos e irmãs vindos de diversas denominações evangélicas, todos unidos pelo desejo de seguir o exemplo de humildade e serviço deixado por Francisco de Assis.

Gratidão e Unidade

A acolhida calorosa na Igreja Metodista do Grajaú foi um dos pontos altos do evento. Expressamos nossa profunda gratidão ao Pastor Edson Fernandes, cuja generosidade e abertura de espírito permitiram que este capítulo fosse realizado em um ambiente tão propício à oração e ao compartilhamento fraterno. A hospitalidade da comunidade metodista local foi um testemunho vivo do amor de Cristo que transpassa as fronteiras institucionais.

Alegria Compartilhada

Além das reflexões espirituais sobre os 800 anos do trânsito de São Francisco (1226–2026), o dia também foi de festa e celebração da vida. Na oportunidade, a comunidade celebrou com júbilo o aniversário de 57 anos do Prior da Ordem, Edson Cortasio Sardinha. Foi um momento de agradecer a Deus pelo seu chamado, sua liderança e pelo constante serviço prestado à Ordem e à propagação do Evangelho.

Espiritualidade e a "Irmã Morte"

A liturgia, marcada pela sobriedade e esperança, convidou os participantes a meditar sobre os últimos momentos de São Francisco, conforme narrado nos documentos históricos da Ordem, como o "Espelho da Perfeição". Ao refletir sobre a forma como Francisco acolheu a "Irmã Morte" como uma passagem para a vida eterna, os presentes reafirmaram o compromisso com a simplicidade, o serviço aos pobres e a centralidade absoluta em Jesus Cristo, o único Mediador.

Compromisso com o Evangelho

O XVIII Capítulo da OFSE não foi apenas uma lembrança do passado, mas um vigoroso chamado para o presente. Entre cânticos e a celebração da Santa Ceia, o grupo reforçou as diretrizes que norteiam a missão:

  • Humildade: O compromisso de servir sem orgulho espiritual.

  • Simplicidade: O resgate do exemplo de pobreza evangélica.

  • Fidelidade: A perseverança no Evangelho como norma suprema de vida.

O encontro deixou evidente que, embora os tempos mudem, o chamado para ser "sal e escudo" em um mundo carente de esperança permanece inalterado. Com corações renovados, os mais de 30 irmãos e irmãs presentes retornaram aos seus lares e comunidades fortalecidos pela comunhão e pelo desejo de serem, cada vez mais, instrumentos da paz de Deus.

Que a paz do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo permaneçam com todos os servos do Evangelho nesta jornada de fé.


Anexo: Roteiro do 18º Capítulo da OFSE.



XVIII Capítulo da OFSE – Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos – OESI – No Ano Jubilar Franciscano

 

 

Explicação sobre a existência da OESI (Ordem Evangélica dos Servos Intercessores) e da OFSE.

 

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo."

ACOLHIDA

Dirigente:

            Irmãos e irmãs, reunimo-nos hoje para recordar os 800 anos da morte de Francisco de Assis, servo humilde de Cristo, cuja vida testemunhou pobreza voluntária, amor ao Evangelho, serviço aos pobres e ardente devoção ao Senhor Jesus.

            Não o honramos como mediador entre Deus e os homens, pois há um só Mediador, Jesus Cristo. Contudo, damos graças a Deus pelo testemunho de seus servos fiéis ao longo da história da Igreja. Como escreveu Martinho Lutero: “Devemos honrar os santos verdadeiros, porque Deus os honrou primeiro.”

            Hoje lembramos Francisco como irmão na fé, testemunha da cruz e exemplo de simplicidade evangélica.

 

SAUDAÇÃO

 

Dirigente: A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

 

Todos: Amém.

 

HINO DE ABERTURA

Alegrem-se os céus e exulte a terra

Ressuscitou Jesus Cristo

Alegrem-se os céus e exulte a terra

Ressuscitou Jesus Cristo

 

LEITURA RESPONSIVA — SALMO 84

 

Dirigente: Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!

Todos: A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor.

Dirigente: Mais vale um dia na tua presença do que mil em qualquer outro lugar.

Todos: O Senhor Deus é sol e escudo.

 

ORAÇÃO DE CONFISSÃO

 

Todos: Senhor Deus, confessamos que muitas vezes buscamos grandezas humanas e esquecemos o caminho da humildade de Cristo. Tem misericórdia de nós. Ensina-nos a amar os pobres, a servir sem orgulho, a viver com simplicidade e a carregar diariamente a cruz de Cristo. Por Jesus, nosso Senhor.

Amém.

 

DECLARAÇÃO DO PERDÃO

 

Dirigente: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1.9)

Em Cristo somos perdoados.

Todos: Graças a Deus!

 

LEITURAS BÍBLICAS

Antigo Testamento: Isaías 58.6–10

Epístola: Gálatas 6.14–18

Evangelho: Mateus 10.7–16

 

Breve Homilia (...)

REFLEXÃO:

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo."

1181/82 – Nascimento em Assis. 

1204 – Conversão em Espoleto.

1226 – Morte, 03 de outubro – Assis.

 

1º texto: Tomás de Celano – Primeira Vida de São Francisco. CAPÍTULO 8. Suas últimas palavras, desejos e atos.

 

1.     Já tinham passado vinte anos desde sua conversão e, como lhe fora comunicado por divina revelação, estava próxima sua última hora.

2.     De fato, quando o bem-aventurado Francisco e Frei Elias moravam juntos em Foligno, certa noite apareceu em sonho a Frei Elias um sacerdote vestido de branco, de idade muito avançada e aspecto venerável, e disse: "Levanta-te, irmão, e diz a Frei Francisco que já se passaram dezoito anos desde que renunciou ao mundo e aderiu a Cristo. Permanecerá só mais dois anos nesta vida e depois, chamado pelo Senhor, seguirá o caminho de toda carne mortal".

3.     Era o que estava acontecendo, para que a seu tempo fosse realizada a palavra de Deus, anunciada com tal antecedência.

4.     Tendo descansado uns poucos dias no lugar que tanto amava, e sabendo que tinha chegado a hora de morrer, chamou dois frades, filhos seus prediletos, e lhes mandou que cantassem em voz alta os Louvores do Senhor, na alegria do espírito pela morte, ou antes pela Vida, já tão próxima.

5.     Ele mesmo entoou como pôde o Salmo de Davi: "Em alta voz clamo ao Senhor, em alta voz suplico ao Senhor".

6.     Um dos frades presentes, pelo qual o santo tinha a maior amizade, e que era muito solícito por todos os irmãos, vendo isso e sabendo que a morte do santo estava próxima, disse-lhe: "Ó pai bondoso, teus filhos vão ficar sem pai, vão ficar sem a verdadeira luz de seus olhos! Lembra-te dos órfãos que estás deixando, perdoa todas as nossas culpas e alegra com tua santa bênção tanto os presentes como os ausentes!"

7.     Respondeu-lhe o santo: "Filho, estou sedo chamado por Deus. A meus irmãos, tanto presentes como ausentes, perdoo todas as ofensas e culpas, e os absolvo quanto me é possível. Leva esta notícia para todos e abençoa-os de minha parte".

8.     Mandou trazer, então, o livro dos Evangelhos e pediu que lessem o trecho de São João no lugar que começa: "Seis dias antes da Páscoa, sabendo Jesus que sua hora tinha chegado e devia passar deste mundo para o Pai..."

9.     Era justamente o Evangelho que o ministro tinha pensado em ler, antes que lhe fosse dada a ordem. E abriram o livro nesse ponto na primeira vez, embora fosse uma Bíblia inteira o livro em que estavam procurando o Evangelho.

10.  Depois, mandou que lhe pusessem um cilício e jogassem cinzas por cima, porque dentro em breve seria pó e cinza.

11.  Estando presentes muitos irmãos, de quem ele era o pai e guia, a esperar com reverência o fim ditoso e bem-aventurado, sua alma santíssima desprendeu-se da carne e foi absorvida pelo abismo da claridade, enquanto seu corpo adormecia no Senhor.

 

2º texto: Tomás de Celano – Segunda Vida de São Francisco. CAPÍTULO 162. Exortação e bênção final aos frades.

 

1.     Na morte do homem - diz o Sábio - suas obras serão postas às claras. Neste santo vemos que isso se realizou por completo, e gloriosamente.

2.     Ele percorreu com alegria interior o caminho dos mandamentos de Deus, chegou ao alto passando pelos degraus de todas as virtudes e atingiu o fim como uma obra amoldável, aperfeiçoada pelo martelo das múltiplas tribulações.

3.     Quando partiu livre para os céus, pisando as glórias desta vida mortal, resplandeceram mais as suas obras admiráveis, e ficou provado que tudo que tinha vivido era de Deus.

4.     Achou que viver para o mundo era um opróbrio, amou os seus até o fim e recebeu a morte cantando. Sentindo já próximos seus últimos dias, em que a luz perpétua substituiria a luz que se acaba, demonstrou pelo exemplo de sua virtude que não tinha nada em comum com o mundo.

5.     Prostrado pela doença grave que encerrou todos os seus sofrimentos, fez com que o colocassem nu sobre a terra nua, para que, naquela hora extrema em que ainda podia enraivecer o inimigo, estar preparado para lutar nu contra o adversário nu.

6.     Esperava intrepidamente o triunfo e já apertava em suas mãos a coroa da justiça. Posto no chão, sem a sua roupa de saco, voltou o rosto para o céu como costumava e, todo concentrado naquela glória, cobriu a chaga do lado direito com a mão esquerda, para que não a vissem.

7.     E disse aos frades: "Eu cumpri a minha missão. Que Cristo vos ensine a cumprir a vossa!"

8.     Vendo isso, os filhos sucumbiram à dor imensa da compaixão, em meio a intensas lágrimas e dando suspiros profundos.

9.     O guardião, contendo os soluços e adivinhando por inspiração divina o que o santo queria, levantou-se, foi correndo buscar uma calça, o hábito de saco e o capuz, e disse ao pai: "Fica sabendo que te empresto, em virtude da obediência, este hábito, as calças e o capuz! Para saberes que não tens nenhum direito de propriedade, tiro-te o poder de dá-los a quem quer que seja".

10.  O santo gostou e se rejubilou de alegria interior, vendo que tinha mantido a fidelidade para com a Senhora Pobreza até o fim. Fizera tudo isso por zelo da pobreza, a ponto de não querer ter no fim nem o hábito emprestado. Usara na cabeça o capuz de saco para esconder as cicatrizes da doença dos olhos, quando teria necessidade de um gorro de lã cara, que fosse bem macio.

11.  Depois disso, o santo levantou as mãos para o céu e louvou a Cristo porque, livre de tudo, já estava indo ao seu encontro.

12.  Mas, para demonstrar que era um verdadeiro imitador do Cristo, seu Deus, em todas as coisas, amou até o fim os frades seus filhos, a quem amara desde o começo.

13.  Pois fez chamar todos os irmãos presentes e, consolando-os de sua morte, exortou-os com afeto de pai ao amor de Deus. Falou também sobre a observância da paciência e da pobreza, dizendo que o santo Evangelho era mais importante do que todas as normas. Estando todos os frades sentados ao seu redor, estendeu sobre eles a mão e, começando por seu vigário, a impôs sobre a cabeça de cada um.

14.  E disse: "Filhos todos, adeus no temor do Senhor! Permanecei sempre nele! A tentação e a tribulação estão para chegar. Felizes os que perseverarem no que começaram. Eu vou para Deus, a cuja graça recomendo-vos todos". Nos que estavam presentes, abençoou a todos os frades que estavam por todo o mundo e os que haveriam de vir depois deles, até o fim dos tempos.

15.  Que ninguém usurpe para si mesmo essa bênção que, nos presentes, deu aos ausentes. Assim como se acha parece ter em vista uma pessoa particular, mas isso é um desvirtuamento.

16.  Enquanto os frades choravam amargamente e se lamentavam inconsoláveis, o pai santo mandou trazer um pão. Abençoou-o, partiu-o e deu um pedacinho para cada um comer. Também mandou trazer um livro dos Evangelhos e pediu que lessem o Evangelho de São João a partir do trecho que começa: "Antes do dia da festa da Páscoa", etc.

17.  Lembrava-se daquela sagrada ceia que foi a última celebrada pelo Senhor com seus discípulos. Fez tudo isso para celebrar sua lembrança, demonstrando todo o amor que tinha para com seus frades.

18.  Passou em ação de graças os poucos dias que ainda restavam até sua morte, ensinando seus filhos muito amados a louvar Cristo em sua companhia. Ele mesmo, quanto lhe permitiam suas forças, entoou o Salmo: "Lanço um grande brado ao Senhor, em alta voz imploro o Senhor", etc.

19.  Convidou também todas as criaturas ao louvor de Deus e, usando uma composição que tinha feito em outros tempos, exortou-as ao amor de Deus. Chegou a exortar para o louvor até a própria morte, que todos temem e abominam, e, correndo alegre ao seu encontro, convidou-a com hospitalidade: "Bem-vinda seja a minha irmã morte!"

20.  Ao médico disse: "Irmão médico, diga com coragem que minha morte está próxima, para mim ela é a porta da vida!"

21.  E aos frades: "Quando perceberdes que cheguei ao fim, do jeito que me vistes despido anteontem, assim me colocai no chão, e lá me deixai ficar mesmo depois de morto, pelo tempo que alguém levaria para caminhar sem pressa uma milha".

22.  E assim chegou a hora. Tendo completado em si mesmo todos os mistérios de Cristo, voou feliz para Deus.

 

3º texto: Espelho da Perfeição - CAPÍTULO 120. O Cântico das Criaturas

            Eis o "Cântico das Criaturas" que o Seráfico Pai compôs quando o Senhor lhe assegurou que entraria no seu reino:

Altíssimo, onipotente, bom Senhor, Teus são o louvor, a glória, a honra E toda a bênção. Só a ti, Altíssimo, são devidos; E homem algum é digno De te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor, Com todas as tuas criaturas, Especialmente o senhor irmão Sol, Que clareia o dia E com sua luz nos alumia. E ele é belo e radiante Com grande esplendor: De ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor, Pela irmã Lua e as estrelas, Que no céu formaste claras E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor, Pelo irmão Vento, Pelo ar, ou nublado Ou sereno, e todo o tempo Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor, Pela irmã Água, Que é mui útil e humilde E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor, Pelo irmão Fogo, Pelo qual iluminas a noite. E ele é belo e jucundo E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor, Por nossa irmã a mãe Terra, Que nos sustenta e governa, E produz frutos diversos E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor, Pelos que perdoam por teu amor, E suportam enfermidades e tribulações. Bem-aventurados os que as sustentam em paz, Que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor, Por nossa irmã a Morte corporal, Da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal! Felizes os que ela achar Conformes à tua santíssima vontade, Porque a morte segunda não lhes fará mal!

Louvai e bendizei a meu Senhor, E dai-lhe graças, E servi-o com grande humildade.

 

O que você destaca no texto? Como ele serve para sua espiritualidade?

 

ORAÇÃO PELA IGREJA E PELOS POBRES

Dirigente: Senhor Jesus, desperta tua Igreja para o amor verdadeiro.

Todos: Faz-nos servos humildes do Evangelho.

Dirigente: Lembra-te dos pobres, dos esquecidos e dos que sofrem.

Todos: Dá-nos mãos generosas e coração compassivo.

Dirigente: Livra-nos do orgulho espiritual.

Todos: E conforma-nos à tua cruz.

 

CÂNTICO

Jesus de todos Salvador,

tua luz revela o esplendor do Pai.

Nós te cantamos bendizendo o teu amor.

 

Leitor: Nos últimos momentos de sua vida, Francisco pediu que lessem o Evangelho e cantassem ao Senhor. Chamou a morte de “irmã”, não porque amasse morrer, mas porque cria firmemente na ressurreição em Cristo. Sua esperança estava somente no Senhor Jesus.

 

CÂNTICO

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé

Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz

Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado
Compreender que ser compreendido
Amar que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive
Para a vida eterna

SANTA CEIA

Cântico: Deus é amor. Arrisquemos viver por amor. Deus é amor, ele afasta o medo.

 

ORAÇÃO FINAL

            Senhor Deus, agradecemos pelo testemunho dos teus servos ao longo da história. Concede à OFSE um espírito de humildade, simplicidade e fidelidade ao Evangelho. Que jamais adoremos homens, mas que, olhando para os exemplos dos santos fiéis, sigamos somente a Cristo, autor e consumador da nossa fé. Por Jesus Cristo, nosso Senhor.

Amém.

CÂNTICO

Doce é sentir

Doce é sentir / Em meu coração / Humildemente / Vai nascendo amor

Doce é saber / Não estou sozinho / Sou uma parte / De uma imensa vida

 

Que generosa / Reluz em torno a mim / Imenso dom / Do teu amor sem fim

 

O céu nos deste / E as estrelas claras / Nosso irmão Sol / Nossa irmã Lua

Nossa mãe Terra / Com frutos, campos, flores/ O fogo e o vento / O ar e a água pura / Fonte de vida / De tua criatura

 

Que generosa / Reluz em torno a mim / Imenso dom / Do teu amor sem fim

 

"Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo."

 

BÊNÇÃO

O Senhor vos abençoe e vos guarde. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vós

e vos dê a paz. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

 

Cântico:

Tu és fonte de vida, tu és fogo, tu és amor.

Vem, Espírito Santo, vem, Espírito Santo.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Santo Antônio de Lisboa e Pádua: O Pregador do Evangelho que Conquistou Corações


Santo Antônio de Lisboa e Pádua: O Pregador do Evangelho que Conquistou Corações

"A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Cristo" (Romanos 10.17).

Introdução

Poucos santos da tradição cristã são tão conhecidos e amados quanto Santo Antônio de Lisboa, mais conhecido como Santo Antônio de Pádua. Seu nome atravessou séculos, fronteiras e denominações cristãs. Embora frequentemente lembrado por tradições populares, sua verdadeira grandeza encontra-se em sua profunda dedicação às Escrituras, sua vida de oração, sua paixão pela pregação do Evangelho e seu compromisso com Cristo.

Para nós, da OFSE — Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos, Antônio deve ser recordado sobretudo como um homem da Palavra de Deus, um pregador itinerante e um discípulo que buscou seguir os passos de Jesus em simplicidade, pobreza voluntária e amor ao próximo.

De Lisboa para o Mundo

Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, por volta do ano de 1195. Seu nome de nascimento era Fernando Martins de Bulhões.

Ainda jovem ingressou entre os Cônegos Regulares de Santo Agostinho, onde recebeu sólida formação bíblica e teológica. Durante esse período dedicou-se intensamente ao estudo das Escrituras.

A vida de Fernando mudou profundamente quando conheceu a história dos primeiros mártires franciscanos mortos no Marrocos em 1220. O testemunho desses homens despertou nele o desejo de uma entrega mais radical a Cristo.

Por essa razão abandonou a segurança de sua vida anterior e ingressou na Ordem dos Frades Menores fundada por São Francisco de Assis. Nesse momento adotou o nome Antônio.

O Encontro com o Ideal Franciscano

Antônio encontrou no movimento franciscano aquilo que procurava: simplicidade, pobreza evangélica, vida missionária e amor a Cristo.

Francisco de Assis percebeu rapidamente os dons extraordinários daquele novo frade. Embora os primeiros franciscanos não fossem conhecidos pelo estudo acadêmico, Francisco reconheceu em Antônio um mestre capaz de unir conhecimento bíblico e fervor espiritual.

Foi o próprio Francisco quem autorizou Antônio a ensinar teologia aos frades, desde que o estudo nunca sufocasse o espírito de oração.

Essa combinação de conhecimento e piedade continua sendo um exemplo para os franciscanos evangélicos dos nossos dias.

O Grande Pregador

A fama de Antônio espalhou-se rapidamente pela Itália e pela França.

Sua pregação possuía três características principais:

1. Fidelidade às Escrituras.
2. Clareza na exposição.
3. Aplicação prática à vida cristã.

Milhares de pessoas reuniam-se para ouvi-lo.

Ele denunciava a corrupção, a exploração dos pobres, a ganância e a injustiça social. Ao mesmo tempo anunciava a graça de Deus, o arrependimento e a necessidade de uma vida transformada.

Seu ministério recorda a exortação apostólica:

«"Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta com toda longanimidade e ensino." (2 Timóteo 4.2)»

Antônio compreendia que a verdadeira reforma da sociedade começa pela transformação do coração humano através do Evangelho.

Seu Amor pelas Escrituras

Entre os franciscanos, Antônio tornou-se conhecido como um dos maiores intérpretes bíblicos de sua geração.

Seus sermões revelam profundo conhecimento do Antigo e do Novo Testamento.

Para ele, a Bíblia não era apenas objeto de estudo, mas alimento da alma.

Essa visão encontra eco nas palavras de Martinho Lutero:

«"A Bíblia está viva; ela fala comigo; tem pés, corre atrás de mim; tem mãos, segura-me."»

Lutero insistia que a Igreja deve permanecer fundamentada exclusivamente na Palavra de Deus. Antônio, séculos antes da Reforma, demonstrava grande amor pelas Escrituras e dedicação à sua exposição.

Quatro Frases de Santo Antônio

1. Sobre Cristo

«"Cristo, que é a tua vida, está pendurado diante de ti para que olhes para a cruz como para um espelho."»

Fonte: Anthony of Padua, Sermons for Sundays and Festivals, Sermão para a Quaresma.

2. Sobre a Palavra de Deus

«"A palavra é viva quando as obras falam."»

Fonte: Anthony of Padua, Sermons, Sermão do Domingo da Septuagésima.

3. Sobre a Humildade

«"A humildade é a mãe de todas as virtudes."»

Fonte: Anthony of Padua, Sermons, coleção de sermões morais.

4. Sobre a Obediência a Cristo

«"A obediência é o sepulcro da própria vontade."»

Fonte: Anthony of Padua, Sermons, comentário espiritual sobre a vida cristã.

O Que Wesley Poderia Admirar em Antônio

Embora separado de Antônio por vários séculos, John Wesley valorizava aspectos que encontramos claramente na vida do franciscano português.

Wesley escreveu:

«"Não existe santidade que não seja santidade social."»

A vida de Antônio demonstrava exatamente isso. Sua espiritualidade não era isolada da realidade. Ele cuidava dos pobres, denunciava injustiças e anunciava o Evangelho ao povo comum.

Outra declaração famosa de Wesley encaixa-se perfeitamente em sua trajetória:

«"Dá-me cem pregadores que nada temam senão o pecado e nada desejem senão Deus."»

Antônio foi um desses pregadores.

Lições para a OFSE

A vida de Santo Antônio oferece importantes lições para os franciscanos evangélicos contemporâneos.

1. Amar profundamente as Escrituras

«"Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho." (Salmo 119.105)»

2. Unir estudo e oração

Conhecimento sem devoção produz orgulho. Devoção sem conhecimento produz superficialidade.

3. Viver a simplicidade evangélica

«"Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes." (1 Timóteo 6.8)»

4. Proclamar Cristo com coragem

«"Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação." (Romanos 1.16)»

5. Servir os pobres

«"A fé, se não tiver obras, por si só está morta." (Tiago 2.17)»

Sua Morte e Legado

Santo Antônio faleceu em 13 de junho de 1231, aos apenas 36 anos de idade, em Arcella, próximo de Pádua.

Apesar da curta vida, deixou uma marca extraordinária na história da Igreja.

Seu legado não consiste principalmente nas tradições populares associadas ao seu nome, mas em seu testemunho de amor a Cristo, fidelidade à Palavra de Deus, dedicação aos pobres e compromisso com a missão.

Conclusão

Santo Antônio de Lisboa e Pádua permanece como um exemplo inspirador para os cristãos de todas as épocas.

Sua vida nos lembra que o verdadeiro discipulado nasce do encontro com Cristo, cresce pela meditação das Escrituras e floresce no serviço amoroso ao próximo.

Como franciscanos evangélicos da OFSE, podemos honrar sua memória não por meio de devoções dirigidas a ele, mas seguindo seu exemplo de humildade, vida simples, amor ao Evangelho e dedicação integral ao Senhor Jesus Cristo.

Que a oração do apóstolo Paulo também seja a nossa:

«"Para mim o viver é Cristo." (Filipenses 1.21)»

sábado, 23 de maio de 2026

Pentecostes: São Francisco de Assis e o Fogo do Espírito Santo.

Pentecostes: São Francisco de Assis e o Fogo do Espírito Santo.

“Vem, Espírito Santo, e renovai a face da terra.”
(Salmo 104)

O santo tempo de Pentecostes nos conduz novamente ao cenáculo da Igreja nascente, onde homens e mulheres reunidos em oração receberam o sopro divino prometido por Cristo. O Espírito Santo desceu como vento impetuoso e línguas de fogo, enchendo os discípulos de coragem, santidade e amor missionário. O medo transformou-se em anúncio, o silêncio em proclamação, e os corações tornaram-se altares vivos da presença de Deus.

Pentecostes não é apenas uma recordação litúrgica da descida do Espírito; é o contínuo derramamento da graça de Deus sobre Sua Igreja. É o chamado permanente para que o povo cristão viva na força do Evangelho, em arrependimento, comunhão, serviço e santidade.

Dentro da tradição franciscana, Pentecostes possui um significado profundamente espiritual. compreendia que nenhuma obra de Deus poderia existir sem a ação do Espírito Santo. Sua vida inteira foi moldada pelo fogo divino da humildade, da pobreza evangélica, da oração e do amor ardente por Cristo Crucificado.

Francisco desejava que seus irmãos fossem homens cheios do Espírito, vivendo não segundo os impulsos do mundo, mas segundo a inspiração divina. Em suas Admoestações, ele recorda que “o Espírito do Senhor repousará sobre aqueles que perseveram na paz, na humildade e na verdadeira caridade”. Sua espiritualidade não era baseada apenas em regras exteriores, mas em uma transformação interior operada pela graça do Espírito Santo.

Por isso, desde os primeiros anos da Ordem Franciscana, surgiu a bela tradição do chamado “Capítulo de Pentecostes”. Todos os irmãos se reuniam anualmente em oração, discernimento, comunhão fraterna e escuta da vontade de Deus. Não era apenas uma assembleia administrativa, mas um verdadeiro encontro espiritual, marcado pela fraternidade, simplicidade e busca sincera pela direção do Espírito Santo.

Os relatos antigos narram que milhares de frades se reuniam em Assis para celebrar Pentecostes ao lado de Francisco. Dormiam em cabanas simples, oravam juntos, ouviam exortações espirituais e partilhavam suas experiências missionárias. O centro daquele encontro não era o poder humano, mas a ação viva do Espírito de Deus conduzindo a fraternidade.

Hoje, a OFSE — Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos, unida à OESI — Ordem Evangélica dos Servos Intercessores, contempla essa herança espiritual com profunda reverência e gratidão. Celebrar Pentecostes é recordar que nossa vocação franciscana evangélica somente possui sentido quando é sustentada pelo sopro do Espírito Santo.

Somos chamados a viver uma espiritualidade encarnada, simples, bíblica e cheia da presença de Deus. Assim como Francisco abraçou os pobres, orou entre as montanhas, serviu os esquecidos e anunciou a paz de Cristo, também nós desejamos ser instrumentos do Reino em nosso tempo.

O Capítulo de Pentecostes da OFSE torna-se, portanto, um tempo de renovação espiritual, discernimento comunitário e consagração missionária. É ocasião para ouvir novamente a voz do Senhor dizendo:

“Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito.”
(Zacarias 4:6)



Em um mundo marcado pela ansiedade, pela violência e pela frieza espiritual, o Espírito Santo continua chamando homens e mulheres para uma vida de santidade, oração e serviço. A chama de Pentecostes ainda arde na Igreja. O vento do Espírito ainda sopra sobre aqueles que se colocam diante de Deus com humildade.

Que neste santo Pentecostes, a OFSE seja renovada pelo fogo divino. Que nossos corações sejam inflamados de amor por Cristo. Que nossas comunidades sejam lugares de paz, intercessão e acolhimento. E que, seguindo os passos de São Francisco de Assis, possamos proclamar com a vida o Evangelho da graça, da misericórdia e da esperança.



Pentecostes é o nascimento da missão.
Pentecostes é o fogo que purifica.
Pentecostes é o Espírito Santo formando Cristo em nós.

Que o Senhor derrame sobre Sua Igreja a plenitude do Seu Espírito.

Feliz Pentecostes!
Paz e Bem!