terça-feira, 5 de julho de 2022

Reunião dos Franciscanos da OESI

Os irmãos franciscanos da oesi se reuniram em seu Capítulo anual na Igreja Ortodoxa Grega do Rio de Janeiro. Fomos acolhidos pelo diácono local que nos levou até a capela e nos mostrou a igreja , os ícones, e a especificidade da sua liturgia  Pela graça de Deus tivemos alegria de reunir os franciscanos evangélicos para o momento de estudo, fraternidade e comunhão. Estudamos um texto baseado no primeiro século Franciscano sobre o que representou o evangelho de Cristo na vida e missão de São Francisco de Assis. Logo após, comemoramos o aniversário do irmão Edson que no dia 14 havia completado 53 anos de idade. na reunião tivemos a visita do Reverendo Luiz da igreja anglicana de Magé e todos os irmãos e irmãs presentes celebraram a presença do Senhor Jesus. Foi uma reunião Cristã,  Evangélica, Protestante e Franciscana para glória de Deus Pai Filho e Espírito Santo de Deus. O objetivo da oesi é ser um corpo de adoradores que estuda a espiritualidade clássica e reanima sua fé no cotidiano baseado no testemunho bíblico e de homens e mulheres da história da igreja. A vida e o testemunho de Francisco de Assis e dos primeiros franciscanos tem nos desafiado a sermos o sal e a luz do mundo diante das necessidades do cotidiano. O dia 18 de junho de 2022 ficará marcado como um dia de alegria, de celebração e de festa.
 Paz e bem 
Foto dos Franciscanos no altar da Igreja Ortodoxa.

Franciscanos na reunião de estudo.

Franciscanos em confraternização 

Diácono Ausli acolheu os Franciscanos com carinho e atenção. 





terça-feira, 14 de junho de 2022

Material para reunião da OFSE - 18 de junho de 2022 - Evangelho para Francisco de Assis

 

O Evangelho para Francisco de Assis

Como o Evangelho influenciou a vida de São Francisco de Assis?

 


A Conversão

Francisco não foi um ouvinte surdo do Evangelho.

2. Deus de fato infundira no coração do jovem Francisco, juntamente com uma afetuosidade notável, uma generosidade e compaixão extraordinárias pelos pobres. Este sentimento foi crescendo em seu coração de filho a tal ponto que ele decidiu dar o que tivesse a quem quer que lho pedisse por amor de Deus, pois não era um ouvinte surdo do Evangelho. Boaventura LEGENDA MENOR: C.1.

 

Francisco resolveu desapegar-se de todas as suas posses e negociar, segundo o estilo de Deus, as coisas deste mundo com as do Evangelho.

4. Certo dia, ao orar assim na solidão, apareceu-lhe Cristo Jesus crucificado e lhe disse: "Quem quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me" (Mt 16,24). Esse versículo do Evangelho causou-lhe tão grande impressão, que lhe queimava dentro da alma como um fogo devorador e como um desejo imenso de sofrer com ele. Pois diante do Crucificado sua alma se derretia e a lembrança da paixão de Cristo se gravou no mais íntimo de seu coração, de tal modo que via quase ininterruptamente dentro de si com os olhos da alma as chagas do Senhor crucificado e externamente a muito custo conseguia conter as lágrimas e os suspiros. Abandonara por amor de Cristo Jesus, como bens desprezíveis, sua casa e toda a fortuna que esta lhe reservara, mas sabia perfeitamente que descobrira um tesouro escondido e brilhante pérola preciosa. Ávido de possuí-los, resolveu desapegarse de todas as suas posses e negociar, segundo o estilo de Deus, as coisas deste mundo com as do Evangelho. Boaventura LEGENDA MENOR: C.1

A Missão

Francisco teve a graça de aprender o caminho da perfeição mediante o Evangelho.

1. Havendo terminado sua obra nas três igrejas, Francisco foi viver numa delas dedicada à Santíssima Virgem. ...foi julgado digno de aprender o caminho da perfeição mediante o Evangelho cujo espírito e verdade Deus lhe revelou. Certo dia, durante a missa, lia-se a passagem do Evangelho que relata como o Senhor enviou os discípulos a pregar e como estabeleceu a forma de vida segundo o Evangelho que deveriam observar: não ter nem ouro nem prata, nem dinheiro no cinto, nem sacola para o caminho, nem duas túnicas, nem sapatos, nem bastão (cf. Mt 10,9). Boaventura LEGENDA MENOR: C.2.

 

O Estilo de vida

Francisco tornou-se o arauto do Evangelho.

Chegou a conclusão de que deveria viver para os outros e não exclusivamente para si. Foi então viver numa cabana abandonada perto de Assis, onde poderia levar em comum uma vida de pobreza e rigorosa disciplina religiosa com seus Irmãos e pregar a palavra de Deus ao povo, sempre que tivesse oportunidade, Tornou-se o arauto do Evangelho, pregando de cidade em cidade o reino de Deus "não com estudadas palavras de humana sabedoria, mas pela virtude do Espírito Santo" (1Cor 2,13). Boaventura LEGENDA MENOR: C.2.

 

A pobreza Evangélica

Francisco descobriu o Tesouro do Evangelho.

Por amor à pobreza abandonou pai e mãe e tudo o que possuía. Ninguém era tão ávido de ouro quanto ele da pobreza; ninguém jamais guardou um tesouro com tanto cuidado como ele guardou essa pérola do Evangelho. Boaventura LEGENDA MENOR: C.3.

O Discipulado

Francisco ensinou seus discípulos a viver segundo a forma do Santo Evangelho.

27. A verdade da doutrina anunciada com simplicidade e a autenticidade da vida do bem-aventurado Francisco se tornavam conhecidas de muitos, de modo que, transcorridos dois anos de sua conversão, certos homens começaram a se animar por seu exemplo e penitência e, rejeitando todas as coisas, uniram-se a ele, no hábito e na vida. O primeiro deles foi Frei Bernardo, de santa Memória. Considerando Bernardo a constância e o fervor do bem-aventurado Francisco no serviço divino, o empenho com que reformava as igrejas destruídas levando uma vida austera, apesar das facilidades que tivera no século, propôs em seu coração distribuir aos pobres tudo o que tinha e unir-se firmemente a ele, no hábito e na vida. Assim, certo dia, aproximou-se ocultamente do homem de Deus, revelou-lhe seu propósito e combinou com ele que o procurasse numa determinada noite. O bem-aventurado Francisco, dando graças a Deus, como até então não tivesse nenhum companheiro, muito se alegrou, especialmente porque o senhor Bernardo era homem de vida bem edificante.

28. Na noite combinada, foi o bem-aventurado Francisco ter à casa de Bernardo, com grande alegria no coração, e permaneceu com ele toda aquela noite. Entre outras coisas o Senhor Bernardo disse-lhe: "Se alguém recebesse de seu patrão muito ou pouco, e conservasse esses bens por muitos anos e não quisesse mais retê-los, o que de melhor poderia fazer com eles?" O bem-aventurado Francisco respondeu que deveria devolvê-los ao patrão de quem os recebera. E o Senhor Bernardo disse: "Portanto, meu irmão, todos os meus bens temporais quero distribuir, por amor do meu Senhor, de quem os recebi, conforme te parecerá mais convenientes. O santo disse: "Amanhã, bem cedinho, iremos à igreja, e pelos Evangelhos saberemos como o Senhor ensinou a seus discípulos". No dia seguinte, muito cedo, levantaram-se, e juntos com outro que se chamava Pedro, e também queria ser irmão, foram à igreja de São Nicolau, na praça da cidade de Assis. Entrando para orarem, como eram simples e não sabiam achar a passagem do Evangelho a respeito da renúncia dos bens materiais, devotamente rogavam ao Senhor que se dignasse mostrar-lhes a sua vontade na primeira vez que abrissem o livro.

29. Terminada a oração, o bem-aventurado Francisco, tomando o livro fechado, e de joelhos diante do altar, ao abrir a primeira vez, encontrou este conselho do Senhor: "Se queres ser perfeito, vai e vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu" (Mt 19.21). O bem-aventurado Francisco ficou muito contente e deu graças a Deus. Mas como era um verdadeiro adorador da Santíssima Trindade, quis que isto fosse confirmado com um tríplice testemunho. E abriu o livro pela segunda e pela terceira vez. Ao abri-lo a segunda vez, encontrou o seguinte: "Não leveis nada no caminho... (Lc 9.3)" E na terceira, por fim: "Quem quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo" (Lc 9.23). O bem-aventurado Francisco deu graças a Deus as três vezes que se abriu o livro e se manifestava a vontade divina, confirmando seu propósito e desejo anteriormente concebidos. E disse aos já mencionados irmãos Bernardo e Pedro: "Irmãos, esta é nossa vida e nossa regra e de todos que quiserem unir-se à nossa sociedade. Ide, pois, e fazei como ouvistes". Partiu, pois, o Senhor Bernardo, que era muito rico, vendeu tudo o que possuía, e ajuntando muito dinheiro, distribuiu-o todo aos pobres da cidade. Pedro também, conforme suas posses, cumpriu o conselho divino. Despojando-se de tudo, ambos tomaram o hábito, tal qual usava o santo, após ter deixado o de eremita. Desde então, viveram juntamente com ele, segundo a forma do santo Evangelho, que o Senhor lhes havia manifestado. Foi por isso que São Francisco disse em seu Testamento: "O próprio Senhor revelou-me que deveria viver segundo a forma do santo Evangelho". LEGENDA DOS TRÊS COMPANHEIROS: C.9.

 

Cronologia de Francisco de Assis

1181/82: Nasce em Assis. Batizado com o nome de Giovanni di Pietro (pai) di Bernardone (avô).

1202: Guerra entre Perúsia e Assis. Assis vencida em Collestrada. Francisco, com 20 anos, passa um ano preso em Perúsia. Resgatado pelo pai, devido à doença. Nesse tempo parece que a família de Clara está refugiada em Perúsia; ela com 8/9 anos de idade.

1204/05: Parte para a guerra da Apúlia, no sul. Volta após visão e mensagem de Espoleto. Começo da conversão gradual. Em junho de 1205: Mensagem do crucifixo de São Damião. Conflito com o pai.

1206: Janeiro-fevereiro: questão perante o bispo Dom Guido II. Março-junho: em Gúbio, perto de Assis, cuida dos leprosos.

1208: 24 de fevereiro: ouve o Evangelho da missa de São Matias, na Porciúncula, sobre a missão apostólica. Muda as vestes de eremita e passa a usar as de pregador ambulante, descalço. Início da pregação apostólica. Aqui propriamente começa o estilo de vida franciscana, apostólica, de presença. 16 de abril: recebe em sua companhia os irmãos Bernardo de Quintavalle e Pedro Cattani.

1209: março-junho: Francisco escreve breve Regra e vai a Roma com onze discípulos. Obtém a aprovação do Papa Inocêncio III, só oralmente.

1212: Março: na noite do domingo de Ramos, Clara di Favarone foge de casa e é recebida na Porciúncula.

24/25 de dezembro: na noite de Natal, Francisco celebra a festa em Greccio, junto a um presépio.

15 de agosto a 29 de setembro: Francisco, com Frei Leão e Frei Rufino, passa no Alverne, preparando-se com uma quaresma de oração e jejum. Em setembro, tem a visão do Serafim alado e recebe os estigmas.

1226: 3 de outubro, à tarde: Francisco cantando ‘mortem suscepit’ (morreu cantando). No domingo seguinte, 4 de outubro, é sepultado na igreja de São Jorge, na cidade de Assis, mas o cortejo fúnebre passa antes pelo mosteiro de São Damião, para a despedida de Clara.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Você deseja ser um Franciscano Protestante da OESI?

 

Orientação sobre os diversos carismas da OESI


Os irmãos e as irmãs, após serem recebidos como aliançados, podem optar por uma das três espiritualidades próprias da OESI (ou pelas três): Espiritualidade Comum do Protestantismo (várias vertentes), a espiritualidade Beneditina ou a espiritualidade Franciscana (estas duas últimas a partir de uma releitura Protestante). 


  • A Espiritualidade Comum do Protestantismo é a vivência protestante própria das denominações Evangélicas com ênfase nas disciplinas espirituais e na espiritualidade clássica. 
  • A Espiritualidade Beneditina está baseada na vida e na Regra de Benedito de Núrsia a partir de uma releitura protestante.
  • A Espiritualidade Franciscana está baseada no carisma de Francisco de Assis e de Clara a partir de uma releitura Protestante. 


Os irmãos da Espiritualidade Comum Protestante vivem as disciplinas espirituais da OESI com alegria e simplicidade e se aprofundam no estudo da espiritualidade clássica. 


Já os irmãos Beneditinos (OBSE) e os irmãos Franciscanos (OFSE) são monges e frades dispersos. Vivem a espiritualidade e o carisma Beneditino ou Franciscano em suas vidas seculares e dispersas pelo mundo. São verdadeiros beneditinos e verdadeiros franciscanos dispersos em sua missão de Sal e Luz do mundo. Aceitam a Regra da OESI, fazem o voto de Servo Inútil, oram pela igreja de Cristo, pelo mundo e se esforçam para viver o Evangelho do Senhor Jesus em todas as áreas e aspectos de suas vidas.


Os Monges e Frades da OESI tem por mosteiro a sala dos doentes; por cela, um quarto de sua casa; como capela, a sua igreja local; como claustro, as ruas da cidade; como clausura, a obediência; como grade, o temor de Deus; como hábito e véu, a santa modéstia e a simplicidade.


Os irmãos vocacionados para a opção Beneditina ou Franciscana são acompanhados por uma pessoa de referência nestas espiritualidades (indicada pelo prior da OESI) e passam a pertencer a grupos próprios para estudos, aprofundamentos, congraçamentos, trabalhos e fraternidade para o pleno desenvolvimento da espiritualidade segundo o carisma do Novo Monasticismo.


Segunda-feira, da 19ª Semana do Tempo Comum. 08 de agosto de 2022, às 21:32h.  

 

terça-feira, 24 de maio de 2022

Como ser um Frei Franciscano da OFSE

 Como ser um Frei Franciscano da OFSE

            A OFSE é uma Ordem Dispersa. Servimos a Deus no carisma de Francisco e Clara em nossa vida cotidiana onde nos encontramos. Por ser uma ordem religiosa, o caminho não é fácil nem rápido. Haverá necessidade de discernimento vocacional sério e constante. 

            Para ser um Franciscano da OFSE o candidato (homem ou mulher) precisa fazer o seguinte caminho vocacional: 

  1. Ser verdadeiramente convertido ao Senhor Jesus. Ter a experiência do Novo Nascimento.
  2. Precisa ser protestante. A OFSE é uma ordem protestante.
  3. Ser aceita como irmão da OESI - Ordem Evangélica dos Servos Intercessores. Precisa fazer o caminho da OESI.   Veja como proceder no link: http://ordemevangelicadosservos.blogspot.com/
  4. Sendo membro da OESI, deverá se solicitar para entrar na OFSE. Será acompanhado por um Mestre dos Noviços.
  5. Durante dois anos lerá as obras do primeiro século Franciscano e desenvolverá algumas atividades próprias de um franciscano, sendo acompanhado pelo Mestre dos Noviços. Neste dois anos fará anualmente os votos provisórios no retiro da OESI / OFSE. 
  6. Após a caminhada de Formação, tendo o aval do seu Mestre e aprovação do Conselho da OFSE, fará seus votos perpétuos diante de Deus e dos irmãos franciscanos da OFSE.  

sábado, 4 de dezembro de 2021

Novo Irmão Franciscano da OFSE


Novo Irmão Franciscano da OFSE

 A paz e bem amados e amadas irmãs em Cristo Jesus!

Quis o bondoso Deus, que se cumprisse em mim após 44 anos , o chamado ao ministério franciscano.

Desde muito jovem, sentia o desejo de me entregar ao Evangelho de Cristo e cumprir o IDE. Sentia em mim, o desejo de resgatar os perdidos e anunciar o Evangelho. Nasci em seio católico e me dediquei com esmero a tão gentil caminho. Meu pai militar ficou viúvo muito cedo, sendo eu e minhas duas irmãs criadas por minha avó. Então, quando a mesma faleceu, tive que dar uma pausa no meu processo de formação vocacional e quando quis retornar, portas me foram fechadas por mais que eu afirmasse ser o desejo de meu coração servir a Cristo.

Após muitos anos me tornei um Pastor Missionário, mais precisamente exerço este ministério a 23 anos.

A precisamente 2 anos, vim conhecer a OESI, pois buscava informações na internet sobre vida monástica protestante. Não conseguia aceitar que modo tão excelente de vida, fosse extinto com o advento da Reforma Protestante. Deus, realmente é Maravilhoso!

Com a OESI, vim a descobrir sobre o Novo Monasticismo e durante 2 anos, iniciei meu processo de formação para também me tornar um Irmão da OFSE- ORDEM FRANCISCANA SECULAR EVANGÉLICA.

Os planos de Deus se cumpriram na minha vida. No dia 14 de Novembro de 2021, no Retiro anual Espiritual da OESI em Petrópolis, no Rio de Janeiro, fui consagrado Irmão Franciscano pelo amado Prior Edson Cortásio Sardinha. Servo mui amado de Deus e também Irmão Franciscano.

Em 1977, tinha o desejo vocacional. Em 2021, o desejo de me tornar um Frei Franciscano anunciador do Evangelho de Cristo Jesus e seguidor do exemplo de vida de Francisco de Assis, que dedicou sua vida aos pobres, ao anúncio do Evangelho, a vida de oração e comunhão com Deus e os homens se concretizou.

Louvado seja Deus por toda a terra! Glória a Deus nas alturas e paz na terra a todos os homens! Que as bênçãos de Deus estejam sobre todos os irmãos e irmãs da OESI e OFSE hoje e sempre, em nome de Jesus amém! Deus é Fiel!

Do vosso Irmão em Cristo Jesus, Frei Isaac. A paz e bem!

Isaac Rodrigues de Oliveira, oesi/ofse

Irmão Edson e Irmão Isaac - no refeitório

Frei Isaac na oração litúrgica





Irmão Edson, Irmão Isaac e Irmã Marisa

Apresentação do irmão Isaac

Irmãos da OESI e Frei Isaac fazendo os votos perpétuos ma Ordem.

Momento muito emocionante

Oração pelo frei Isaac


Irmão Edson, Irmão Orlando e Irmão Gleisto: intercessão pelo Frei Isaac.




Recebendo o símbolo da OESI e o Tau Franciscano da OFSE


sábado, 16 de outubro de 2021

O que falar de Francisco com o lobo de Gubbio?

O que falar de Francisco com o lobo de Gubbio?

                Esta história nos remete a um lobo feroz que, ao que tudo indica, apavorava a cidadezinha de Gubbio, pois que assassinava todo e qualquer ser vivo por aquela região. O que ninguém sabia - ou tampouco se importava - é que ele também passava por necessidade, pois não tinha mais o que comer. Francisco, que por ali se instalou nesta época, soube da situação e foi ter com a fera, ao que - conta-se - por milagre de Deus, a fera não só não o atacou como também o ouviu, fazendo com o Poverello de Assis um acordo: não atacaria mais o povo da cidade e este o alimentaria. Resultado: a cidade passou a cuidar dele, e o lobo, tornou-se seu protetor até os últimos dias de sua vida!

                Não se pode afirmar, de certo, que se tratou realmente de uma fera selvagem ou mesmo de um bandido cruel; fato é que, Francisco domou a fera fazendo uso de duas grandes armas, tão escassas quanto necessárias em nossos dias: a acolhida e o diálogo.

        Vale salientar ainda que, quando realmente estamos dispostos ao diálogo sem reservas e preconceitos, o milagre da acolhida acontece. Hoje, mais do que nunca, o mundo não precisa de juízes ou caçadores, mas de irmãos e irmãs em Cristo, dispostos a viver e testemunhar a lei do Amor-serviço, estendo sua mão àqueles que, sendo incompreendidos - visto não terem voz nem vez - vivem à margem de nossa sociedade, mas que são, segundo o Evangelho, os prediletos de Deus.

                Na oração: como vivemos a acolhida do próximo e o diálogo fraterno e desarmado?

Texto gentilmente cedido pelo Irmão Leandro Alves Soares, OFS (17 anos de profissão Franciscana)


terça-feira, 8 de dezembro de 2020

A Irmã Morte

 


A vida de Francisco de Assis a partir de Tomás de Celano

Ir. Edson Cortasio Sardinha

Partes 7

 

A Irmã Morte

 


7.  Irmã Morte

                Francisco morreu no dia 04 de outubro de 1226, em um domingo, na cidade de Assis, onde também foi sepultado. Antes de sua morte, se preparou para este encontro com o Senhor: como sempre fazia, procurou um lugar solitário para ter momentos a sós com Deus, em oração.

Levou para este lugar alguns irmãos mais chegados, para que pudessem protegê-lo das pessoas, e conseguisse, assim, ter seu momento de contemplação.

Neste encontro de oração, buscou, em Deus, o que Ele queria para sua vida: “Buscava, com afã, e desejava com devoção, saber de que modo, por que caminho e com que desejos ele poderia aderir, com maior perfeição, ao Senhor Deus, segundo a inspiração e o beneplácito de Sua vontade” (1Cel 91.5).

Francisco tinha o costume de perguntar a Deus, e abrir os Evangelhos para ver a resposta do Senhor: esta era sua prática preferida de oração. Ao terminar sua oração, abriu o livro e veio a história da paixão do Senhor Jesus, quando o Senhor anunciava as tribulações que deveria passar; para confirmar, abriu o livro mais duas vezes, e vieram palavras semelhantes.

Entendeu, então, que deveria sofrer, antes de entrar definitivamente no Reino de Deus.

            Dois anos antes de sua morte, estava novamente em oração. Foi para o eremitério de Alverne: “Deus lhe deu a visão de um homem com a forma de um Serafim de seis asas, que pairou acima dele com os braços abertos e os pés juntos, pregado numa cruz” (1Cel 94.1).

Duas asas elevavam-se sobre a cabeça, duas se abriam para voar, e outras duas cobriam o corpo inteiro. Francisco sentiu muita alegria pela visão, mas não compreendia o que estava vendo. Levantou-se, triste e alegre ao mesmo tempo, tentando entender a visão.

Neste momento, começaram “a aparecer-lhe, nas mãos e nos pés, as marcas dos quatro cravos, do jeito que as vira, pouco antes, no crucificado” (1Cel 94.7). As marcas eram abertas, como se estivessem preenchidas por cravos: nas mãos, nos pés e ao lado. Da cicatriz ao lado, com frequência, escorria sangue, e sua túnica e calças ficavam molhadas.

Frei Elias teve a oportunidade de ver essas feridas em Francisco, e Frei Rufino pode tocar na sua chaga, do lado direito do peito. Junto com as chagas, vieram dores terríveis, ao ponto de Francisco pedir a Deus para poupá-lo.

Para não ser glorificado por homens, Francisco sempre escondeu estas marcas que recebera de Cristo... Após sua morte, as pessoas puderam, enfim, constatar esse “milagre dos estigmas”, acontecido com Francisco:

 

Contemplavam o corpo bem-aventurado de Cristo, adornado pelos estigmas: ele tinha, nas mãos e nos pés, não os furos dos cravos, mas os próprios cravos, feitos de sua própria carne, pelo poder admirável de Deus, e até como nascidos na sua carne, de modo que, de qualquer lado que fossem empurrados, logo ressaltavam do outro lado, como se fossem um mesmo nervo. E também viam o lado vermelho de sangue (3Cel 5.4-5).

 

                Neste período, Francisco começou a padecer de muitas enfermidades; já sofria de algumas antes, devido a seu estilo de vida de jejuns e mortificações.

Entre as várias enfermidades e as dores dos estigmas, lhe apareceu uma enfermidade nos olhos. Frei Elias obrigou-o a aceitar o remédio e o tratamento médico. Foi levado para a cidade de Rieti para ter um tratamento mais adequado de sua enfermidade; a Cúria Romana estava nesta cidade e o recebeu com muita honra – principalmente Hugolino, bispo de Óstia. Francisco, no passado, o havia escolhido como pai e senhor de toda a Ordem dos seus irmãos, com o consentimento do Papa Honório – mais tarde, Hugolino seria eleito Papa da Igreja, fato que Francisco havia predito tempos antes.

            Hugolino passou a ser amigo pessoal de Francisco e, por isso, “interessou-se, com solicitude e devoção, para que o santo pai pudesse recuperar a antiga saúde dos olhos, vendo nele um homem santo e justo, muito útil e necessário à Igreja de Deus” (1Cel 101.4).

Convenceu Francisco a aceitar o tratamento médico. Os remédios da época eram dolorosos – como, por exemplo, a cauterização com brasas em diversos lugares da cabeça, sangrias, emplastros e colírios. Nada adiantou, e a doença piorava cada vez mais. “O santo suportou isso com toda paciência e humildade, durante quase dois anos, dando, em tudo, graças a Deus” (1Cel 102.1). Durante o tratamento com brasas, teve a graça de Deus para suportar as terríveis dores:

 

Quando esteve doente dos olhos, o homem de Deus foi obrigado a permitir que o tratassem, e chamaram um médico ao lugar. Ele veio, trouxe instrumento de ferro para cauterizar, e mandou colocá-lo no fogo até ficar em brasa. O bem-aventurado pai, animando o corpo já abalado pelo medo, assim falou com o fogo: ‘Meu irmão fogo, o Altíssimo te criou forte, bonito e útil, para emulares a beleza das outras coisas. Sê amigo meu nesta hora, sê cortês, porque eu sempre te amei no Senhor. Rogo ao grande Senhor que te criou, para que abrande um pouco o teu calor, para que queime com suavidade e eu possa agüentar’. Acabada a oração, fez o sinal da cruz e ficou esperando, intrepidamente. Quando o médico segurou o ferro tórrido e branco, os frades fugiram por respeito, mas o santo se apresentou ao ferro, alegre e sorridente. O instrumento penetrou crepitando na carne delicada e a cauterização se estendeu desde a orelha até o supercílio. As palavras do santo testemunham melhor a dor que ele mesmo sentiu. Quando os frades, que tinham fugido, voltaram, o pai disse sorrindo: ‘Covardes e fracos de coração, por que fugistes? Na verdade, eu vos digo que não senti nem o ardor do fogo, nem dor alguma em minha carne’ (3Cel 14.1-11).

 

            Seis meses antes de sua morte, estando na cidade de Sena para cuidar da doença dos olhos, começou a ficar gravemente enfermo em todo o resto do corpo. “Seu estômago se desfez pelos problemas contínuos e por males do fígado, e vomitou muito sangue, parecendo estar quase à morte” (1Cel 105.1).

Quando Elias chegou à cidade, Francisco melhorou e pode ir com ele para a cidade de Celle, perto da cidade de Cortona. Ao chegar na cidade, sua enfermidade piorou. “Seu ventre se intumesceu, incharam-se as pernas e os pés, e o estômago piorou cada vez mais, mal podendo reter algum alimento” (1Cel 105.5).

Francisco, então, pediu para que Elias o levasse para a cidade de Assis; quando chegou em Assis, estava muito prostrado. “Espantavam-se os médicos e admiravam-se os frades, de que seu espírito pudesse viver em um corpo já tão morto, pois a carne já se havia consumido e estava reduzido a pele e ossos” (1Cel 107.7).

Dois anos antes, quando morava com Elias em Foligno, Elias teve um sonho: um sacerdote idoso, todo de branco, lhe apareceu e dizia: “Levanta-te, irmão, e diz a Frei Francisco que já se passaram dezoito anos desde que renunciou ao mundo e aderiu a Cristo. Permanecerá só mais dois anos nesta vida, e depois, chamado pelo Senhor, seguirá o caminho de toda carne mortal” (1Cel 109. 3).

Sabendo que iria morrer, Francisco chamou cada frade e abençoou um a um, individualmente; depois, solicitou que o levassem para a cidade de Porciúncula.

Tendo descansado poucos dias em Porciúncula, lugar que ele mais amava, chamou dois frades e lhes mandou que cantassem em voz alta os Louvores do Senhor, na alegria do espírito, pela morte que o levaria para a vida eterna.

Ele mesmo começou a cantar o Salmo de Davi: “Em alta voz, clamo ao Senhor; em alta voz, suplico ao Senhor”. Mandou trazer o livro dos Evangelhos e pediu que lessem o trecho de São João, no lugar que começa: “Seis dias antes da Páscoa, sabendo Jesus que sua hora tinha chegado e devia passar deste mundo para o Pai...” (Jo 13.1).

Prostrado pela doença grave, que encerrou todos os seus sofrimentos, fez com que o colocassem nu sobre a terra nua, para que, naquela hora extrema, em que ainda podia enraivecer o inimigo, estivesse preparado para lutar nu, contra o adversário nu.

Na verdade, esperava, intrepidamente, o triunfo, e já apertava em suas mãos a coroa da justiça. Assim, posto no chão, sem a sua roupa de saco, voltou o rosto para o céu, como costumava e, todo concentrado naquela glória, cobriu a chaga do lado direito com a mão esquerda, para que não a vissem. E disse aos frades: ‘Eu fiz a minha parte; que Cristo vos ensine a cumprir a vossa!’ (2Cel 214.6-9)

                Depois, pediu que lhe pusessem um cilício e “jogassem cinzas por cima, porque, dentro em breve, seria pó e cinza”.

E depois faleceu. Assis recebeu milhares de pessoas, que louvavam a Deus pela vida tão singular de Francisco. “O bem-aventurado pai São Francisco, que teve a imagem e a forma de um Serafim, fez tudo isso com perfeição, porque perseverou na cruz e mereceu voar para a altura dos espíritos sublimes” (1Cel 115.1).

“Quando amanheceu, juntou-se a multidão de Assis com todo o clero e, carregando o corpo do lugar em que morrera, levaram-no para a cidade, entre hinos e louvores, tocando trombetas.

Cada um levava um ramo de oliveira ou de outras árvores, e seguiam solenemente o enterro, com muitas luminárias e cantando louvores em alta voz” (1Cel 116.2,3).

Francisco faleceu no dia 03 de outubro de 1226. Foi canonizado pelo Papa Gregório IX, no dia 16 de julho de 1228.

 

O que você destaca no texto?

Como serve para sua espiritualidade?