domingo, 17 de abril de 2011

Cronologia da Semana Santa

Francisco de Assis foi um homem apaixonado por Jesus. Seu grande segredo espiritual foi sua profunda intimidade com o Senhor Jesus. Sua principal reflexão era sobre o Sacrifício do Senhor Jesus. Desejo que esta semana nos ajude a crescer na graça e no conhecimento do sacrifício e amor do Senhor Jesus. 




DOMINGO DE RAMOS
Jesus viaja de Betânia, a 3 km de Jerusalém. Entrada de Jesus em Jerusalém Mateus 21.1-11









SEGUNDA-FEIRA Jesus protesta contra o comércio no templo em Jerusalém Mateus 21.12-13

Jesus ensina no templo em Jerusalém Mateus 21.28-23.29


TERÇA-FEIRA
Jesus prediz a data de sua execução e debate com líderes religiosos. Jesus é ungido em Betânia. Mateus 26.6-13











QUARTA-FEIRA Judas é contratado para trair. Jesus chora, no Monte das Oliveiras, a rejeição de Jerusalém e lamenta a destruição da cidade. Lucas 19.41-44




QUINTA-FEIRA
18 às 23h30min Última Ceia com os discípulos em Betânia Mateus 26.17-29
23h30min a Sexta-feira - 1h - Jesus no Jardim do Getsêmani Mateus 26.36-46




SEXTA-FEIRA 1h às 1h30min Jesus espera por sua prisão Mateus 26.36-46
1h30min às 3h Jesus passa pelo primeiro julgamento diante de Anás.
Jesus é atacado fisicamente.


Jesus passa pelo segundo julgamento diante de Caifás e da Corte do Sinédrio. Mateus 26.47-56
3h às 5h Jesus é preso no palácio de Caifás Mateus 26.57
5h às 6h Jesus passa pelo terceiro julgamento. Sai a decisão de pedir ao governo romano para matar Jesus - Mateus 27.1
6h às 7h Jesus passa pelo quarto julgamento diante de Pilatos, que afirma não ter encontrado pecado nEle.- Mateus 27.11-14
7h às 7h30min Jesus passa pelo quinto julgamento diante de Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que tinha jurisdição sobre a Galiléia. Jesus se recusa a responder a qualquer questão e é devolvido rapidamente a Pilatos. Lucas 23.7-11
7h30min às 8h30min Jesus passa pelo sexto julgamento. Pilatos tenta repetidamente libertar Jesus, mas os líderes judeus não aceitam. Pilatos tortura fisicamente e bate em Jesus para satisfazer os líderes judeus, mas eles exigem sua crucificação.


Jesus acabou condenado. Mateus 27.26
8h30min às 9h Soldados de Pilatos pegam Jesus no tribunal -- Pretório -- e se divertem com ele, torturando-o e colocando uma coroa de espinhos na sua cabeça. Mateus 27.27-31



9h às 12h Jesus é forçado a carregar sua própria cruz para a crucificação no Calvário. Mateus 27.32-34



12h Jesus é crucificado Mateus 27.35-36 13h Jesus clama pelo Pai: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" Mateus 27.46


15h Falecimento de Jesus Terremoto Mateus 27.51-52 Soldados furam o corpo de Jesus, mas não Lhe quebram as pernas João 19.34
18h Enterro de Jesus no túmulo de José de Arimatéia Mateus 27.57-66

terça-feira, 12 de abril de 2011

Semana Santa

A Semana Santa e a crucificação de Jesus tinha para Francisco um valor incomparável. Segundo alguns autores, quando Francisco de Assis via uma torre de Igreja com a linda cruz, ele ajoelhava e dizia: Senhor! Obrigado! Porque com a Tua Cruz Remiste o mundo!
Foi a imagem de Jesus na cruz que despertou a sua vocação. Ouviu o Senhor falar: Francisco! Restaura a minha Igreja que está em ruínas!
Hoje um dos grandes símbolos de Francisco é a Cruz de São Damião.
Mas qual o valor da Cruz para nós cristãos?

             Muitas pessoas desprezam o significado da Cruz. Outras tem até aversão ao símbolo da cruz. .
            Precisamsos entender o ensinamento do apóstolo Paulo quando diz que “a palavra da cruz é deveras loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (I Co 1. 18).
            Paulo diz que a palavra da Cruz é poder de Deus.
            Infelizmente muitas pessoas desconhecem esse poder.
            Quantos crentes até evitam falar no Cristo crucificado?
            Mas Paulo diz: “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. (I Co 1.23).

            Observe: “pregamos (anunciamos)  a Cristo crucificado”.
            Pregar o Cristo crucificado é anunciar a história da morte de Cristo e mostrar o valor desta morte para a nossa vida.
            A crucificação de Cristo, assim como sua ressurreição, continua sendo o Poder de Deus para nos resgatar do pecado.
Nossa libertação e cura dependem da Cruz de Cristo.
            Diga: Eu dependo da Cruz de Cristo.
            A sexta-feira santa histórica foi um dia de vitória. Lá na cruz o Senhor triunfou e nos deu a salvação. Vamos entender  os motivos da Cruz de Cristo:

1. Na cruz, Deus se revelou ao homem (Mt 27.51).
            Ficamos conhecendo o amor de Deus na cruz.
Ali Ele apareceu para nós. Morrendo por nós. Amando-nos até o fim. Sendo nosso Cordeiro e nosso Salvador. O véu se rasgou na morte de Jesus na Cruz. A cruz abriu acesso ao Pai.
Hoje, pelo sangue derramado na cruz, podemos ir a Cristo e nos alegrar Nele.
            Quando você conheceu realmente o amor de Deus?

2. Na cruz, Deus tomou a iniciativa e entrou em ação a favor do ser humano (II Co 5.19; Lc 12.50).
            A iniciativa pela nossa Salvação veio de Deus.
Ele foi à cruz por nós. Ele nos amou primeiro. Ele quis nos resgatar na Cruz.

3. Na cruz, o Filho de Deus consumou sua identificação com o homem pecador (Is 53.12; Hb 2.11);
            Na cruz Jesus se identifica com a nossa humanidade caída.
Ali era o nosso lugar, mas Ele quis morrer por nós e ser semelhante ao homem pecador.
Essa identificação nos gera vida eterna e cancelamento de todas as maldições.

4. Na cruz, foi oferecido um sacrifício pelos pecados do mundo ( Mt 27.46; I Pe 3.18);
            Todos os nossos pecados foram cravados na cruz. Ali ficaram nossas enfermidades da alma, do corpo e do Espírito.
            Os nossos pecados foram eliminados na cruz.
            Hoje podemos deixar na cruz tudo que nos causa dor e mágoas.
            A cruz é lugar de remissão e perdão de pecados.

5. Na cruz foi oferecido um sacrifício expiatório (II Co 5.14);
            A palavra expiar significa “reparar”; “sofrer no lugar do outro”.
Lá era o nosso lugar. Nós estávamos mortos em nossos delitos e pecados.
            Ele se ofereceu por nós, morreu por nós e nos resgatou.
            Ele tirou nosso pecado e nos declarou santos e justos.
            Quando que você sentiu-se perdoado de todos os pecados?

6. Na cruz o pecador é identificado com Cristo e a Ele unido (Gl 2.20).
            A cruz é o local onde nos unidos a Cristo. Somos unidos no seu sofrimento, na sua dor e na sua ressurreição.
Toda a maldição da lei é cancelada na cruz.
Gl 3.13 diz que o Senhor levou nossa maldição. Somos libertados pela vitória da cruz.
            Estamos mortos com Cristo e assim vencedores.
            Assim disse João Wesley: “Pois o que está morto com Cristo está livre da culpa do passado e do poder do pecado presente, como os mortos estão livres do comando dos seus antigos comandantes[1]”.

7. A ressurreição de Cristo
            A Morte não teve vitória sobre o Senhor Jesus. Ele triunfou na Cruz. O Túmulo ficou vazio. Hoje somos slavos e libertos porque Jesus morreu verdadeiramente e ressuscitou verdadeiramente. Adoramos o Cristo vivo que foi morte por nós e por nós derramou seu precioso sangue.
            O Túmulo vazio é a cosntatação de que Jesus é Deus, é vencedor, é soberano.
            Não existe nenhum obstáculo para aquele que venceu o obstáculo da morte.
            Jesus ressuscitou e triunfou para a nossa vitória eterna. Podemos cantar: Morte, onde está ó morte a tua vitória! (I Coríntios 15.55-57).

            Esta semana é especial. Podemos aproveitar a data para Evangelizar, cultuar e adorar ao Senhor.
            Nossa célula precisa estar sempre na alegria da Páscoa. Nossa mensagem é a Páscoa. Páscoa de Jesus da morte para a Vida.
            A Páscoa dos Judeus celebrava a saída da opressão do Egito.
A nossa Páscoa Celebra a ressurreição do Senhor e a nossa esperança num novo céu e uma nova terra. Celebramos a Páscoa de Jesus. A Nossa vitória!
Podemos falar como Francisco: Senhor Obrigado! Porque pela tua cruz remiste o mundo!


[1] Teologia de João Wesley p. 80

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Domingo de Ramos na Vida de Clara de Assis


Domingo de Ramos de 1212, no dia 18 de Março.
Nesta data Clara resolve assumir a vocação de intercessora diante de Deus. Conhece Francisco de Assis e seu ministério. Como pertencia a uma família Nobre, ele tinha naturalmente duas opções: Ou se casar com um homem rico e nobre ou ser Abadessa de um famoso mosteiro.
Clara escolhe o pior. Escolhe viver sem rumo como Francisco. Deus o leva a um ministério perpétuo de adoração e oração pela Igreja.
Sua fuga foi justamente no Domingo de Ramos.
A data quando a Igreja comemora a entrada de Jesus em Jerusalém para sua última semana antes de sua dolorosa morte e gloriosa ressurreição.
No dia da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, Jesus entrou definitivamente na vida de Clara. Tem coragem para enfrentar os pais, o futuro, a sociedade. Sua vocação é forte e irresistível. Seria uma mulher pobre, casada com Jesus e vivendo o carisma de Francisco no ministério da Intercessão. Foi fiel ao seu ministério até a sua morte. O seu maior milagre foi ser uma serva de Deus.
Como evangélicos não cultuamos ou veneramos Clara. Nunca oramos para Clara, somente para a Trindade. Mas temos a alegria em ver Deus agindo em sua vida. Clara foi um exemplo de perseverança e fidelidade a oração e a pobreza. Viveu até a sua morte na Igreja de São Damião. Morre no dia 11 de Agosto de 1253.
Clara foi uma serva do Senhor que deixou exemplo de vida consagrada.
Jesus entrou triunfalmente em seu coração.
Já vivia em santidade, mas decide, na Missa de Domingo de Ramos dar o seu SIM definitivo ao Senhor Jesus.
Louvado seja o senhor Jesus!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quaresma de Francisco e a Luta Espiritual do Cristão

Quaresma, Francisco e Paulo

Francisco foi em dia de carnaval, ao lago de Perusa, à casa de um discípulo seu, onde passou a noite, foi inspirado por Deus para observar aquela Quaresma em uma ilha do lago de Perusa.
Francisco pediu ao discípulo que o levasse em sua barquinha a uma ilha do lago, onde não habitasse ninguém, e isto fizesse na noite de Quarta-feira de Cinzas sem que nenhuma pessoa o percebesse. Francisco só levou consigo dois pãezinhos.
E, chegando à ilha, Francisco lhe rogou por favor que não revelasse a quem quer que fosse a sua permanência na ilha e só o fosse procurar na Quinta-feira Santa; e assim o discípulo voltou para casa.
E Francisco ficou sozinho: e ali não havendo habitação em que ficasse, entrou num bosque muito copado, no qual muitos espinheiros e arbustos se reuniam a modo de uma cabana ou de uma cova, e naquele lugar se pôs em oração e a contemplar as coisas celestiais.
E ali passou toda a Quaresma sem comer nem beber, além da metade de um daqueles pãezinhos, conforme o que encontrou o seu discípulo na Quinta-feira Santa, quando o foi procurar: o qual achou dois pãezinhos, um inteiro e outro pela metade.
E depois, naquele lugar, onde Francisco fizera tão maravilhosa abstinência, realizou Deus muitos milagres; pela qual coisa começaram os homens a edificar casas e habitá-las; e em pouco tempo construiu-se um bom e grande castelo e houve um convento de frades, o qual se chama o convento da Ilha; e ainda os homens e mulheres daquela aldeia têm grande reverência por aquele lugar, onde Francisco passou a sua Quaresma. (Baseado no I Fioretti de São Francisco de Assis. Capitulo 07. Editora Vozes-1985-Pg. 29-30).

Mas o que é Quaresma?
A primeira Campanha de Oração da Igreja primitiva foi chamada de Quaresma. Eram quarenta dias de oração e jejum pela santificação da igreja e das vidas que iriam ser batizadas no domingo da Páscoa. Era uma caminhada de luta e oração. A quaresma começa com a quarta-feira de cinzas e termina na semana Santa. Era um período de consagração e Luta espiritual. Era uma campanha de Oração de conversão e pelo arrependimento. Era uma luta contra a carne e contra as forças espirituais do mal.
Todo cristão vive em guerra espiritual. Existem forças malignas orientadas pelo diabo para atacar e contra-atacar o cristão. Nesta guerra não podemos lutar isolados. Necessitamos da igreja e da Unidade Cristã na nesta Luta Espiritual. Esta é a orientação de Paulo aos filipenses. É sobre este assunto que iremos refletir, lendo Filipenses 1.27-30.

I. Temos uma meta
Paulo diz que os cristãos tem um projeto de vida. O projeto é viver a cima de tudo por modo digno do evangelho (27).
O Evangelho de Cristo apresenta normas de vida e conduta. O cristão vive como o Evangelho descreve. Devemos viver de modo digno do Evangelho de Cristo. Nosso lema é: Amar a deus sobre todas as coisas e o próximo como a nos mesmos. Cumprindo esta máxima do Evangelho, seremos discípulos fiéis e preparados.
Você tem conseguido viver de modo digno do Evangelho?

II. Temos um progresso para alcançar
Para que soubesse que os filipenses estavam progredindo espiritualmente, Paulo exigiu três posturas (27):
Firmes em um só espírito: Nosso espírito é o Espírito de Cristo. É o Espírito de expressar Cristo pela nossa unidade.
Com uma só alma: Nosso ânimo é um só. Agradar a Deus. Glorificar o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não temos outra intenção.
Lutando juntos pela fé evangélica: A fé evangélica é levar vidas Cristo. Esta é a nossa meta. Lutamos para levar vidas à fé em Cristo.
Nosso símbolo de Unidade é a Igreja. Não podemos deixar o altar de Deus e a Santa Ceia. Nossa unidade gera a vitória que necessitamos e faz com que progredimos na fé.
Você tem progredido na fé?

III. Temos um combate pela frente
Paulo pede para que os filipenses em nada estivessem intimidados pelos adversários (28).
Existem adversários: O mundo, o diabo e a carne. Mas não podemos andar intimidades e com medo.
Não precisamos ficar com vergonha da fé evangélica diante do mundo e dos adversários. O que os adversários entendem como perdição e loucura, para nós é salvação da parte de Deus.
Ser discípulo de Jesus é salvação e felicidade. Para o mundo é prisão e fanatismo. O mundo não consegue enxergar a liberdade que temos em Cristo.
Neste combate espiritual poderemos sofrer muito com as perseguições, chacotas e retaliações. Mas Paulo diz que temos a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele (29).
Os filipenses tiveram um grande consolo: O combate dos filipenses era o mesmo combate de Paulo (30). Estavam sofrendo com o apóstolo pelo progresso do Evangelho.
Você tem sofrido como crente?

Conclusão:
            Somos livres e abençoados, mas precisamos perseverar na Unidade. A Igreja é a nossa maior marca de unidade cristã. Não importam nossas diferenças, temos um só espírito, uma só alma e uma só luta. Lutamos para salvar as pessoas da morte e do inferno. Lutamos para dar dignidade e salvação a todas as pessoas. Não desistimos das pessoas. Cremos na obra de Deus. Cremos no Encontro com Deus. Cremos que no Senhor, as pessoas são salvas e transformadas. Louvado seja o Senhor.
            Como Francisco, devemos reservar os dias da Quaresma para orar pelas conversões e pela santificação da Igreja de Cristo na face da terra.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Francisco de Assis (século XII) e João Wesley (Século XVIII)


                                                                                                                                                                                        


Franciscanos e Wesleyanos:
Movimentos de Santidade

Francisco não gostava da nomenclatura “Franciscano”. Preferia o nome “Imãos Menores”.  Wesley também não adotou o nome de Wesleyano para o seu movimento. Com relação ao nome metodista chegou a dizer: “Eu ficaria contente se o próprio nome metodista não voltasse a ser mencionado jamais e fosse sepultado em eterno esquecimento”.

  • Francisco renunciou a liderança de sua própria Ordem. Wesley também disse: “Pouca é a minha ambição de ser o cabeça de uma nova seita ou partido”.

  •  Francisco viveu a conversão na prática. Lutou para poder viver o Evangelho no cotidiano e praticar literalmente o Evangelho do Senhor Jesus.  Wesley também ensinava que a conversão a Jesus é comprovada pela prática, e não pelas emoções do momento.

  • Francisco reuniu 12 discípulos e deu início ao seu movimento de Reforma. Valorizou os pregadores leigos. O movimento franciscano ficou organizado em: 1) Irmãos Menores (Primeira Ordem) que saiam pelo mundo de dois a dois pregando o Evangelho (maioria leigos); 2) Ordem das Clarissas (Segunda Ordem). Liderada por Clara que ficou num convento em São Damião e iniciou um movimento de oração e intercessão pelos Menores e pela Reforma e Santidade da Igreja,  e a 3) Ordem Secular (Terceira Ordem) foi formada por irmãos e irmãs que viviam o Evangelho de Jesus no cotidiano secular e sustentava a missão dos Menores pelo mundo. Francisco, como leigo, pregava para multidões e exortava a conversão na prática valorizando o trabalho leigo. Wesley também valorizou os  pregadores leigos que participavam lado a lado com os clérigos da Missão de evangelização, assistência e capacitação de outras pessoas.

  • Francisco ressaltava a importância da relação pessoal com o Cristo. Questionado sobre o conhecimento teológico, ele disse, perto de sua morte: “Não preciso conhecer mais nada. Já descobrir que meu pobre Jesus Cristo morreu na Cruz”.  Wesley também afirmava que o centro da vida cristã está na relação pessoal com Jesus Cristo. “É Jesus quem nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos oferece a vida abundante de comunhão com Deus”.

  • Francisco foi convidado a viver como monge. Alguns padres e bispos acharam que a vontade de Deus para Francisco fosse a vida contemplativa isolada do mundo, num mosteiro. Clara só ficou isolada no convento por causa das exigências sociais e preconceitos da época. Francisco queria viver o Evangelho com o próximo, na vida, nas ruas, junto dos necessitados e empobrecidos. Wesley também reconheceu  a necessidade de se viver o Evangelho comunitariamente no mundo. João Wesley afirmou com relação a vida contemplativa e isolada que "tornar o Evangelho em religião solitária é, na verdade, destruí-lo".

  • Francisco se preocupou com os leprosos e pobres. Não apenas investia em suas vidas espirituais, mas cuidava dos enfermos e recolhia comida para os pobres. Wesley também se preocupou com o ser humano total. Para Wesley, os seguidores de Cristo devem cuidar do próximo integralmente, principalmente dos necessitados e marginalizados sociais.

  • Francisco foi ao Papa solicitar a autorização para viver o Evangelho e pregar o Evangelho. Não desejava ser rico. Desejava apenas poder comunicar o Evangelho ao próximo, principalmente os excluídos da igreja.  Wesley também enfatizou a paixão pela evangelização. Dizia: “Desejamos e devemos trabalhar com paixão, perseverança e alegria para que o amor e a misericórdia de Deus alcancem homens e mulheres em todos os lugares e épocas”.

  • Francisco não rompeu com sua igreja. Até porque isso poderia lhe levar a morte como herege. Mas também porque tinha um grande amor pela igreja. Não desejou destruí-la, mas transformá-la. O movimento Franciscano primário foi um movimento de Santidade e renovação dentro da Igreja medieval. Wesley também não deixou sua amada igreja Anglicana. Morreu anglicano. Não sonhava em fundar uma nova seita (denominação cristã). Seu sonho era transformar a igreja através da vida em santidade.

  • Francisco conhecia, que em Cristo, ele tinha poder de Deus para ser testemunha e instrumento para a transformação dos homens. A experiência com Deus tirava todo o medo. Francisco dizia: “O que você tem a temer? Nada. Quem você precisa temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios: onipotência sem poder, embriaguez sem vinho e vida sem morte."  Francisco cria que a verdadeira vida Cristã está na mudança de vida e no relacionamento com o próximo. Palavras somente não convenciam Francisco. Ele dizia: "Já foi o tempo em que acreditei em palavras." Wesley também pregava a necessidade de uma experiência pessoal com Deus. Sua experiência pessoal com Deus poderia ser instrumento para atrair novas vidas a Cristo. Ele dizia: "Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar."

  • Francisco abalou o mundo de sua época e até hoje seu testemunho é uma influência positiva nas vidas dos cristãos. Foi considerado a maior personalidade do segundo milênio, segundo uma pesquisa da Time. Wesley também é considerado por diversas igrejas cristãs, como um ícone que restaurou a necessidade da experiência de santidade e a evangelização integral. Wesley conhecia o poder de Deus que pode transformar o mundo através do testemunho. Wesley dizia: "Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo."

  • Francisco não aceitou ficar preso a um convento. Ele disse: “O mundo é o meu convento”. Wesley também não aceitou ficar preso a uma paróquia. Após ser impedido de pregar na igreja de seu pai, Wesley disse: "o mundo é a minha paróquia".

  • Para Francisco Deus era seu tudo: "Meu Deus é meu tudo." Todas as pessoas e toda a criação de Deus precisam ser amadas e respeitadas: Francisco dizia: "Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida."  Na obra de Deus e na relação com o próximo, Francisco dizia: "Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, estará a fazer o impossível." "Devemos aceitar com serenidade as coisas que não podemos modificar, ter coragem para modificar as que podemos e sabedoria para perceber a diferença.” Wesley também via como obrigação espiritual e moral estender a mão para o próximo que sofre e carece do nosso auxílio. Wesley dizia: "Faça todo o bem que puder, de todas as formas, a todas as pessoas, enquanto for possível."

Conclusão:
      Tanto Francisco quanto Wesley foram instrumentos de Deus para a sua geração.        Desejamos ser instrumentos de Deus para a nossa geração?
      Como metodistas, devemos ver e aprender com a caminhada de cristãos e cristãs da história da Igreja. Aprender com Wesley e aprender com outros irmãos e irmãs que viveram e testemunharam a santidade bíblica. O próprio Wesley valorizava a tradição cristã e o testemunho deixado por discípulos e discípulas na história da igreja.
      Podemos hoje ler a história da igreja sem preconceitos e  sem medo. Não importa se o/a discípulo/a de Deus foi ortodoxo, católico, protestante ou pentecostal. Importa como ele foi aos olhos de Deus. Como dizia Francisco:  "Um ser humano vale o que ele é aos olhos de Deus e nada mais."

Com amor. Paz e Bem. Graça e Paz.
Irmão Edson.

Bibliografia usada e recomendada:

  • LEITE, Deodato Ferreira. Francisco Cantor da Paz e da Alegria. São Paulo: Paulinas, 1964.
  • LELIÈVRE, Mateo. João Wesley. Sua vida e Obra. São Paulo: Vida, 1997.
  • LARRAÑAGA, Inácio. O Irmão de Assis. São Paulo: paulinas, 2007.
  • HEITZENRATER, Richard P. Wesley e o Povo Chamado Metodista. Rio de Janeiro: Pastoral Bennett, 1996.
  • SILVEIRA, Frei Ildefonso. Org. São Francisco de Assis. Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros Testemunhos do primeiro século franciscano. 9ª Edição. Petrópolis: Vozes, FFB, 2000.
  • BURTNER, Robert, CHILES, Robert. Coletânia da Teologia de João Wesley. Rio de Janeiro: Pastoral Bennett, Igreja Metodista, 1995.
  • ALVES, Mary Emmanuel. São Francisco de Assis. São Paulo: Paulinas, 2008.
  • JENNINGS, Daniel R. The Supernatural Occurrences of John Wesley, Oklahoma City: SEAN Multimedia, 2005.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Francisco de Assis e o Medo

Francisco de Assis e o Medo

A seguinte frase é atribuída a Francisco de Assis:

“O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho e vida sem morte.

Em Gênesis  aparecem quatro passagens importantes sobre temor:
Deus fala a Abrão: 15.1   Depois destes acontecimentos, veio a palavra do SENHOR a Abrão, numa visão, e disse: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande.

Deus fala a escrava Agar: 21.17   Deus, porém, ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está.

Deus fala a Isaque: 26.24   Na mesma noite, lhe apareceu o SENHOR e disse: Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo; abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência por amor de Abraão, meu servo.

Deus fala a Jacó: 46.3   Então, disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o Egito, porque lá eu farei de ti uma grande nação.

Deus ministrou esta mesma palavra na vida de Francisco. Com a experiência de Deus em sua vida Francisco pode dizer com fé: “O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios: onipotência sem poder; embriaguez, sem vinho e vida sem morte.
Observe os três privilégios que recebem a pessoa que se une a Deus:
Onipotência sem poder: O Senhor é a nossa força e o nosso poder. Em Deus somos “onipotentes” sem ter o poder em nós mesmos. Somos fortalecidos no Senhor.
Embriaguez, sem vinho: Somos embriagados do Espírito Santo. Nossa embriagues nos leva a trabalhar no reino de Deus crendo como Francisco que o Céu sustenta a terra. Passamos ver o mundo de cabeça para baixo.
Vida sem morte: Temos vida eterna. Vida para sempre. Vida com Deus.
Esta é a mensagem de Deus: Não temas.
Por isso Francisco repete: “O que temer”? Nada. A quem temer? Ninguém.
Viva a radicalidade do Evangelho de Cristo, amando o próximo e nada temendo. Somente Deus.

Quem tem Deus tem tudo!

Irmão edson

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Alegria de Paulo, dos Filipenses e de Francisco

Introdução:
Para Francisco de Assis a Alegria do crente era uma verdadeira indulgência.
Paulo pede duas vezes aos filipenses: "Alegrai-vos sempre no Senhor. Outra vez vos digo: Alegria-vos!"
Quando lemos Atos 16.12-40, encontramos os primeiros convertidos de Filipos, os primeiros filipenses crentes: Lídia e sua família e o Carcereiro e sua família. A Igreja dos Filipenses começou com duas famílias. A igreja cresceu tanto que já tinha diáconos e bispos quando Paulo escreveu sua carta, cerca de 10 anos depois.
Paulo pregou na cidade de Filipos, na sua segunda viagem como missionário, no ano 51 d.C. Fez discípulos para Jesus e fundou ali uma igreja de Jesus. Filipos é uma cidade da Macedônia, próximo da Grécia. Foi a primeira igreja na Europa. Os moradores da cidade de Filipos chamavam-se filipenses. Enm sua carta para a Igreja aos filipenses, Paulo fala da Alegria. Esta alegria que Francisco descobriu e viveu.

I. Igreja dos Filipenses: Igreja que abençoava seu pastor 
A Igreja dos Filipenses tinha alegria para ofertar na obra de Deus. Esta igreja foi a mais zelosa do Novo Testamento e a que mais abençoou financeiramente o ministério do seu pastor: Apóstolo Paulo (Fp 4.15-16; 2Co 11.8-9). Foi a igreja que Paulo mais desfrutou de amizade e companheirismo. Esta carta foi escrita por Paulo durante sua primeira prisão em Roma, por volta de 61 dC, para agradecê-los pela contribuição que tinha recebido deles. Ele aproveita a carta para elogiar calorosamente Epafrodito, que tinha trazido a doação de Filipos. A igreja não se envergonhou de Paulo pelo fato dele estar preso em Roma como criminoso. Pelo contrário, a igreja enviou sustento financeiro e arriscou a vida de seu melhor obreiro para levar a oferta.
A igreja descobriu a alegria de ser agente da missão de Deus e com alegria contribuiu alegrando o coração do Apóstolo Paulo.

II. A Força da Alegria
Paulo estava triste ou alegre na prisão em Roma? Por que? Todo o conteúdo da carta tem uma nota dominante que é a alegria do discípulo e sua vitória. Paulo, embora prisioneiro, era muito feliz, e invocava seus leitores para sempre estarem felizes em Cristo. Esta é uma característica do crente: A alegria. Por isso que Francisco de Assis dizia que a Alegria é uma indulgência para o Cristão. A alegria do crente é Jesus, não importa as circunstâncias.

III. A Natureza da Alegria: Jesus
A mensagem da carta diz respeito à natureza e base de alegria cristã. Para Paulo, a verdadeira alegria não é uma emoção superficial que dependeu de circunstâncias favoráveis do momento. A alegria cristã é independente de condições externas, e é possível mesmo em meio a circunstâncias adversas, como sofrimento, perseguição e pobreza.
A Alegria definitiva surge da comunhão com Cristo ressuscitado e glorificado. Por toda a carta, Paulo fala da alegria do Senhor, enfatizando que somente através de Cristo se alcança a alegria, como ocorre com todas as outras graças cristãs.
Essencial para essa alegria é a convicção confiante de autoridade de Cristo, baseada na experiência do poder de sua ressurreição. Devido essa convicção, a vida de Paulo ganhou sentido. Mesmo a morte tornou-se uma amiga, pois o levaria a uma maior experiência da presença de Cristo (Fp 1.21-23).
A alegria apresentada em filipenses envolve uma expectativa e forte desejo pela volta de Cristo a qualquer momento. Paulo cita cinco vezes a volta de Jesus (Fp 1.6,10; 2.16; 3.20; 4.5).
Paulo também descreve uma alegria que surge da comunhão na Evangelização. Ele começa a carta agradecendo aos filipenses por sua parceria na propagação do evangelho através de suas ofertas em dinheiro. Existia uma comunhão entre a Igreja e seu pastor. Isso gerava alegria. A alegria cristã é uma conseqüência de estar em comunhão ativa com o corpo de Cristo.

Conclusão:
            Os filipenses foram muito abençoados. Eram gratos pelo ministério do apóstolo Paulo e tiveram a graça de Deus para contribuir com o servo do Senhor no momento mais difícil de sua vida.
            Paulo diz que os filipenses tem o motivo da alegria: Jesus.
            Quem tem Jesus é feliz. Quem tem Jesus suporta as lutas e as rejeições com alegria. Suportar as lutas com paciência é a verdadeira alegria para Francisco: 
           "O mesmo (Frei Leonardo) contou que um dia o bem-aventurado Francisco, perto de Santa Maria dos Anjos, chamou a Frei Leão e lhe disse: “Frei Leão, escreve”. Este respondeu: “Eis-me pronto”. “Escreve – disse – o que é a verdadeira alegria”. Vem um mensageiro e diz que todos os mestres de Paris entraram na Ordem; escreve: não está aí a verdadeira alegria. 
E igualmente que entraram na Ordem todos os prelados de Além-Alpes, arcebispos e bispos, o próprio rei da França e o da Inglaterra; escreve: não está aí a verdadeira alegria. 
E se receberes a notícia de que todos os meus irmãos foram pregar aos infiéis e converteram a todos para a fé, ou que eu recebi tanta graça de Deus que curo os enfermos e faço milagres: digo-te que em tudo isso não está a verdadeira alegria. 
Mas, o que é a verdadeira alegria? 

Eis que volto de Perusa no meio da noite, chego aqui num inverno de muita lama e tanto frio que na extremidade da túnica se formaram caramelos de gelo que me batem continuamente nas pernas fazendo sangrar as feridas. E todo envolvido na lama, no frio e no gelo, chego à porta, e depois de bater e chamar por muito tempo, vem um irmão e pergunta: “Quem é?” E eu respondo: “Frei Francisco”. E ele diz: “Vai-te embora; não é hora própria de chegar, não entrarás”. 
E ao insistir, ele responde: “Vai-te daqui, és um ignorante e idiota; agora não poderás entrar; somos tantos e tais que não precisamos de ti”. E fico sempre diante da porta e digo: “Por amor de Deus, acolhei-me por esta noite”. E ele responde: “Não o farei. Vai aos crucíferos e pede lá”. 
Pois bem, se eu tiver tido paciência e permanecer imperturbável, digo-te que aí está a verdadeira alegria, a verdadeira virtude e salvação da alma”. 

Rev. Edson

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O Homem que Nasceu um Ano antes da Morte de Francisco de Assis: Tomás de Aquino: Opção pela Vida Simples


Tomás de Aquino (nascimento: Roccasecca, 1225  Morte: Fossanova, 7 de março 1274).

Tomás de Aquino nasceu um ano antes da morte de Francisco de Assis. Foi um sacerdote dominicano, teólogo, expoente da escolástica e considerado doutor da igreja por suas obras.
Trago dois textos sobre este homem de Deus. Hoje, dia 28 de fevereiro é comemorado o seu dia e desejo refletir sua mística, vida e obras. Teremos uma caminhada de fé na vida deste homem de fé e razão.

Provocado por Tomás de Aquino[1]
            Tomás de Aquino (1225-1274) foi um homem interessante e intrigante. Apesar de ter nascido numa rica família, optou, em certo momento de sua vida, por ser um pobre frade. Por ter um corpo grande, desajeitado e lento, ganhou o apelido de boi burro. Quando seus colegas assim o chamavam, não poderiam imaginar estar diante daquele que seria considerado um dos teólogos mais geniais da história do cristianismo, cuja voz iria atravessar os tempos.
            Aquino foi um sistemático pensador aristotélico em um ambiente teológico imerso no platonismo. Ele foi um severo crítico do subjetivismo platônico, por entender que os teólogos influenciados por este pensamento caíam num transcendentalismo desconectado da realidade. Fez sua teologia a partir do lado esquerdo do cérebro, de onde nascem os atributos da razão, e por ela buscou explicar Deus. Sua Suma Teológica tornou-se o primeiro tratado de teologia sistemática do Ocidente, uma tentativa de sintetizar em volumes os múltiplos e infindáveis tópicos teológicos.
            Mas aqui reside um mistério: propositadamente, ele deixou sua Suma Teológica inacabada. Seu amigo Reginaldo ficou preocupado quando observou que Aquino parou de trabalhar na sua obra-prima. Instado a continuar, Aquino respondeu que não poderia mais escrever. Diante da insistência do amigo, o teólogo abre o coração e diz: Eu não posso mais escrever, porque tenho visto coisas que fazem todos os meus escritos serem como palhas.
E assim foi. Aquino não mais escreveu depois de ter tido uma experiência mística com Deus durante uma celebração, que o fez baixar a pena em uma atitude de humilde adoração. No leito de morte, este grande filósofo e teólogo, pai da teologia natural e um dia antagonista da teologia mística, pede para ouvir a leitura bíblica do Cântico dos Cânticos.
            Afinal, qual foi a experiência mística que levou Aquino a considerar tudo quanto tinha escrito e que constitui um dos principais pilares da teologia ocidental como palha?
Tentar descobrir é profanar com uma curiosidade racional a santidade de uma experiência única; mas reporto-me a esta experiência de Aquino porque ela mexe o meu mundo interior, despertando sonhos antigos. Pois eu tenho um sonho de me tornar um místico! Sim, eu gostaria de organizar a minha vida em torno do mistério de Deus.
A mística é considerada na tradição espiritual cristã uma ciência mais elevada, pois é uma forma de conhecer Deus como fruto da experiência com ele, e não do acúmulo de informações frias sobre a sua pessoa.
            Equivocadamente, pensa-se que uma experiência mística é o eclipse da razão, um suicídio intelectual em nome do indescritível. Nada mais errôneo para com a mística cristã. Um místico não é um louco, ou alguém intelectualmente preguiçoso e limitado, mas alguém que crê por ter experimentado encontros com Deus não explicados puramente pela razão e nem totalmente descritos com palavras. É uma forma de conhecer a Deus no dizer de Teófilo, a sabedoria escondida e secreta de Deus, na qual, sem ruído de palavras e ajuda de algum sentido corporal nem espiritual, como no silêncio e quietude da noite, obscura a todos os sentidos naturais; ensina Deus a alma, no oculto e no secreto, sem que esta saiba como está sendo ensinada.
            Eu tenho um sonho de influenciar uma geração de estudantes de teologia e de jovens pastores a se tornarem místicos. Queria poder dizer-lhes que os anos de estudo teológico não podem seqüestrar sua devocionalidade. Gostaria de alertá-los de que a Igreja contemporânea tem uma necessidade urgente de místicos intelectualmente sólidos, teologicamente saudáveis, e não de oradores que produzem discursos dominicais vazios por não nascerem do encontro com o Deus vivo. Sonho poder inspirá-los a refundarem a mística protestante, deturpada pela onda neopentecostal. Sonho poder falar-lhes de liderança, não a partir de modelos puramente técnicos advindos do mundo corporativo, mas sim de uma liderança com base na mística capaz de fazer de homens e mulheres de Deus verdadeiros sábios espirituais.
            Sobre isso, reproduzo o que recentemente alguém me contou. Um pastor famoso e cultuado, destes que exportam o seu estilo de vida e modelo ministerial, viajava ao lado de uma pessoa. Tão ocupado estava com o seu computador, fazendo freneticamente mil coisas, que sequer olhou para quem estava na outra poltrona. Foi então que a pessoa perguntou o que ele fazia; ante a resposta, o interlocutor fortuito questionou: ?Por que será que quando sento ao lado de um pastor, tenho sempre a impressão de estar com um homem de negócios, mas quando sento com um monge budista, parece que estou junto a um homem de Deus??
            Eu tenho um sonho de libertar a palavra discipulado da prisão reducionista à qual nós a pusemos. O discípulo de Jesus é um místico que sobe o monte da transfiguração com ele e desce de novo para expulsar os demônios do vale. Fazer discípulos não é colocar pessoas na escola dominical, ensinando-as um corpo de doutrinas frias e dando-lhes um código de conduta moral pessoal sem qualquer conexão com o mundo dentro do qual se vive. Sonho em transformar minha igreja em um centro de formação espiritual, dentro da qual são gestados místicos preocupados com a transformação da sociedade. Então, tenho o sonho de ser um místico urbano. Não quero ir para o mosteiro, mas desejo trazer para minha realidade pós-moderna os maravilhosos princípios da espiritualidade monástica. Sonho viver aquilo que Bonheffer disse: “Somente um novo monasticismo pode salvar a Igreja atual”.
Quero ser este novo monge, que usa celular, assiste televisão e comunica-se por e-mail, mas cultiva o silêncio e a contemplação no meio do barulhento inferno urbano.

História de Tomás de Aquino[2]
Tomás nasceu em Aquino em 1225, no castelo do pai Conde Landulf de Aquino, no Reino da Sicília, atual Lácio, Itália. Por meio de sua mãe, a condessa Teodora de Theate, Tomás era ligado à dinastia Hohenstaufen do Sacro Imério Romano-Germânico.
O irmão do pai de Aquino, Sinibald, era abade do Mosteiro Beneditino do Monte Cassino. Enquanto os demais filhos da família seguiram uma carreira militar, a família pretendida que Tomás seguisse seu tio na abadia; isto teria sido um caminho normal para a carreira do filho mais novo de uma família da nobreza sulista italiana.
Aos cinco anos, Tomás começou sua instrução inicial em Monte Cassino, mas depois que o conflito militar que ocorreu entre o imperador Frederico II e o papa Gregório IX na abadia no início de 1239, Landulf e Teodora matricularam Tomás na studium generale (universidade) criada recentemente por Frederico II em Nápoles.
Foi lá que Thomas provavelmente foi introduzido nas obras de Aristóteles, Averróis e Maimônides, todos que influenciariam sua filosofia teológica.
Foi igualmente durante seus estudos em Nápoles que Tomás sofreu a influência de João de São Juliano, um pregador dominicano em Nápoles que fazia parte do esforço ativo intentado pela ordem dominicana para recrutar seguidores devotos. 
Aos 19 anos, contra a vontade da família, entrou na ordem fundada por Domingos de Gusmão. Estudou filosofia em Nápoles e depois em Paris, onde se dedicou ao ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Estudou teologia em Colônia e em Paris se tornou discípulo de Santo Alberto Magno que o "descobriu" e se impressionou com a sua inteligência. Por este tempo foi apelidado de "boi mudo". Dele disse Santo Alberto Magno: "Quando este boi mugir, o mundo inteiro ouvirá o seu mugido." Foi mestre na Universidade de Paris no reinado de Luís IX de França.
Morreu, com 49 anos, na Abadia de Fossanova, quando se dirigia para Lião a fim de participar do Concílio de Lião, a pedido do Papa.

Obra de Tomás de Aquino
Seu maior mérito foi a síntese do cristianismo com a visão aristotélica do mundo, introduzindo o aristotelismo, sendo redescoberto na Idade Média, na Escolástica anterior, compaginou um e outro, de forma a obter uma sólida base filosófica para a teologia e retificando o materialismo de Aristóteles.
Em suas duas summae, sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de sua época: a Summa Theologiae e a Summa contra gentiles.
A partir dele, a Igreja tem uma Teologia (fundada na revelação) e uma Filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundem numa síntese definitiva:  e razão, unidas em sua orientação comum rumo a Deus.
Sustentou que a filosofia não pode ser substituída pela teologia e que ambas não se opõem. Afirmou que não pode haver contradição entre fé e razão.
Explica que toda a criação é boa, tudo o que existe é bom, por participar do ser de Deus, o mal é a ausência de uma perfeição devida e a essência do mal é a privação ou ausência do bem.
Além da sua Teologia e da Filosofia, desenvolveu também uma teoria do conhecimento e uma Antropologia, deixou também escrito conselhos políticos: Do governo do Príncipe, ao rei de Chipre, que se contrapõe, do ponto de vista da ética, ao O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.
Com o uso da razão é possível demonstrar a existência de Deus, para isto propõe as 5 vias de demonstração:

Primeira via
Primeiro motor imóvel: tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido.

Segunda via
Causa primeira: decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa seqüência infinita.

Terceira via
Ser necessário: existem seres que podem ser ou não ser (contingentes), mas nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, logo é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.

Quarta via
Ser perfeito: verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros. Qualquer graduação pressupõe um parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a causa da perfeição dos demais seres.

Quinta via
Inteligência ordenadora: existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada.

Louvamos a Deus pela Vida de Tomás de Aquino. Por sua coragem em ser o que Deus desejava que ele fosse.



[1] Texto de Eduardo Rosa
[2] Texto consultado na Wickipédia.