quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Testamento de Francisco de Assis

O “TESTAMENTO” de Francisco de Assis.
Depois da Regra Bulada, o Testamento é o documento melhor e mais amplamente documentado de Francisco. Ninguém duvida de sua autenticidade. Apenas existe uma leve suspeita com os parágrafos 31 a 36.
 O próprio título Testamento procede do texto de Francisco. Sabe-se que Francisco o ditou em seus últimos dias, depois de ter discutido vários pontos com os frades.
Ele queria que fosse lido sempre depois da Regra, e isso sempre foi feito. Mas, desde o início, houve discussões a respeito do valor obrigatório desse documento.
Já o próprio Gregório IX declarou, em 1230, que o Testamento não era obrigatório.
Mas não há dúvida de que ele expressa de maneira muito candente, o pensamento de Francisco sobre a sua própria vida e a que Deus lhe havia inspirado para os Frades Menores.
Vamos estudar com detalhe e na íntegra o Testamento de Francisco:
Sua conversão, arrependimento e sua relação com os leprosos:
1 O Senhor assim deu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos.
 
2 E o próprio Senhor me levou para o meio deles, e fez ter misericórdia com eles.
3 E afastando-me deles, aquilo que me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo; e depois parei um pouco e saí do século.

Sua oração nas igrejas:
4 E o Senhor me deu tal fé nas igrejas, que assim simplesmente orava e dizia:
5 Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, também em todas as tuas igrejas, que estão em todo o mundo, e te bendizemos, porque por tua santa cruz remiste o mundo.

Seu amor pelos sacerdotes:
6 Depois o Senhor me deu e dá tanta fé nos sacerdotes, que vivem segundo a forma da santa Igreja Romana, por causa de sua ordem, que, se me fizerem perseguição, quero recorrer a eles mesmos.
7 E se tivesse tanta sabedoria, quanta teve Salomão (cfr. 3Rs 4,30-31), e encontrasse sacerdotes pobrezinhos deste século, nas paróquias onde moram não quero pregar além da sua vontade.
8 E a eles e todos os outros quero temer, amar e honrar como a meus senhores.
9 E não quero considerar pecado neles, porque enxergo neles o Filho de Deus, e são meus senhores.
10 E o faço por isto: porque nada vejo corporalmente neste século do mesmo Filho de Deus, senão o santíssimo Corpo e o seu santíssimo Sangue, que eles recebem e só eles administram aos outros.
11 E esses santíssimos mistérios sobre todas as coisas quero que sejam honrados, venerados e colocados em lugares preciosos.
12 Os santíssimos nomes e suas palavras escritas, onde quer que os encontre em lugares ilícitos, quero recolher e rogo que sejam recolhidos e colocados em lugar honroso.
13 Também a todos os teólogos e aos que nos administram as santíssimas palavras divinas devemos honrar e venerar como a quem nos administra espírito e vida (cfr. Jo 6, 64).

Sua sabedoria e suas palavras
14 E depois que o Senhor me deu frades, ninguém me ensinava o que deveria fazer, mas o próprio Altíssimo me revelou que deveria viver segundo a forma do santo Evangelho.
15 E eu o fiz escrever em poucas palavras e simplesmente, e o senhor papa confirmou para mim.

Os primeiros discípulos:
16 E os que vinham tomar a vida davam aos pobres tudo que podiam ter (Tob 1,3), e estavam contentes com uma única túnica, remendada por dentro e por fora, com o cíngulo e as bragas.
17 E não queríamos ter mais.
18 Os clérigos dizíamos o Ofício segundo os outros clérigos, os leigos diziam: Pai-nosso (Mt 6,9-13); e ficávamos nas igrejas muito de boa vontade.
19 E éramos iletrados e súditos de todos.

Sobre o trabalho:
20 E eu trabalhava com minhas mãos (cfr. At 20,34), e quero firmemente que todos os outros frades trabalhem em trabalho que convém à decência.
21 Os que não sabem, aprendam, não pela cobiça de receber o preço do trabalho mas pelo exemplo e para repelir a ociosidade.
22 E quando não nos derem o preço do trabalho, recorramos à mesa do Senhor, pedindo esmola de porta em porta.

Sua saudação:
23 Uma saudação me revelou o Senhor, que disséssemos: O Senhor te dê a paz (cfr. 2Ts 3,16).

A vida dos frades:
24 Cuidem os frades que de nenhum modo recebam as igrejas, habitações pobrezinhas e tudo que para eles se constrói, se não forem como convém à santa pobreza, que na Regra prometemos, sempre aí se hospedando como forasteiros e peregrinos (cfr. 1Pd 2, 11).
25 Mando firmemente por obediência a todos os frades que, onde quer que estejam, não se atrevam a pedir letra alguma na Cúria Romana, por si ou por pessoa intermediária, nem para alguma igreja ou algum outro lugar, nem por aparência de pregação nem por perseguição de seus corpos;
26 mas onde quer que não forem recebidos, fujam para outra terra, para fazer penitência com a bênção de Deus.

Sobre a Obediencia:
27 E firmemente quero obedecer ao ministro geral desta fraternidade e ao outro guardião que lhe aprouver dar-me.
28 E de tal modo quero estar preso em suas mãos que não possa ir ou fazer mais do que a obediência e a sua vontade, porque é meu senhor.
29 E embora seja simples e enfermo, contudo sempre quero ter um clérigo que me faça o ofício como está contido na Regra.
30 E todos os outros frades tenham que obedecer assim aos seus guardiães e a fazer o ofício segundo a Regra.

O Zelo pela regra: (O seu zelo pela regra o faz intolerante para com a pessoa que não deseja segui-la fielmente. Será que Francisco foi de fato autor destes parágrafos? A princípio ele não queria regras para sua irmandade. Sua regra era somente o Santo Evangelho. Este zelo e esta intolerância levantam suspeitas da autenticidade desta parte do Testamento. Leia-o com atenção.)
31 E os que se descobrisse que não fazem o ofício segundo a Regra, e quisessem variar de outro modo, ou não fossem universais, cristãos (católicos no original), todos os frades, onde quer que estejam, sejam por obediência obrigados a, onde quer que encontrem algum desses, apresentá-lo ao custódio mais próximo desse lugar onde o tiverem encontrado.
32 E o custódio seja firmemente obrigado por obediência a guardá-lo fortemente, como um homem em prisão de dia e de noite, de modo que não possa ser arrancado de suas mãos, até que em sua própria pessoa o apresente nas mãos de seu ministro.
33 E o ministro firmemente esteja obrigado, por obediência a enviá-lo por meio de tais frades, que o guardem de dia e de noite como homem em prisão, até que o apresentem diante do senhor de Óstia, que é o senhor, protetor e corretor de toda a fraternidade.
34 E não digam os frades: "Esta é outra Regra", porque esta é uma recordação, admoestação, exortação e meu testamento, que eu, Frei Francisco, pequenino, faço a vós, meus irmãos benditos, para isto: para que mais cristãmente ( no original catolicamente) observemos a Regra que prometemos ao Senhor.
35 E o ministro geral e todos os outros ministros sejam obrigados por obediência a não acrescentar ou diminuir (cfr. Dt 4,2; 12,32) nestas palavras.
36 E tenham sempre este escrito consigo junto da Regra.

Sobre o uso deste testamento:
37 E em todos os capítulos que fazem, quando lêem a regra, leiam também estas palavras.
38 E a todos os meus frades, clérigos e leigos, mando firmemente por obediência que não ponham glosas na regra em nestas palavras, dizendo: "Assim devem entender-se".
39 Mas assim como o Senhor me deu de dizer e escrever simples e puramente a regra e estas palavras, assim simplesmente e sem glosa as entendais e com santas obras as guardeis até o fim.

Sua Bênção Final:
40 E todo aquele que observar estas coisas, no céu seja repleto da bênção do altíssimo Pai e na terra seja repleto da bênção do seu dileto Filho com o santíssimo Espírito Paráclito e todas as virtudes do céu e todos os santos.
41 E eu, Frei Francisco, pequenino servo vosso, tanto quanto posso vos confirmo por dentro e por fora esta santíssima bênção.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um desenho baseado na História

  Francisco: O Cavaleiro de Assis


Sinopse: Esta emocionante história acontece no tempo dos cavaleiros e reis, quando a honra pertencia aos heróis e a glória era conquistada nos campos de batalha. Nesta época vivia na cidade de Assis, na Itália, um jovem nobre e valente chamado Francisco, cuja família desejava que se tornasse um grande guerreiro e conquistasse um magnífico castelo. Porém, um dia, Francisco sente um forte chamado para uma glória maior do que ser mais um herói nos campos de batalha. Deus confia-lhe uma missão muito especial, que exigirá dele um supremo gesto de coragem. Por causa do amor de Deus, seu único e verdadeiro Rei,doa todos os seus bens e toda a sua riqueza e, cheio de alegria, embarca numa excitante e inesperada aventura: amar os pobres, acolher os desprezados pela sociedade e ser instrumento de reavivamento da Igreja. Ao abraçar essa difícil missão, o jovem Francisco enferenta violentas persiguições por parte dos familiares, amigos, da sociedade e dos responsáveis pela Igreja.




Servidor: Emule
Duração: 30 minutos
Formato: mpg/SVCD
Tamanho: 526 mb
Linguagem: Português

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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ordem Franciscana Secular

Como Surgiu a Ordem Franciscana Secular?

A Ordem Franciscana Secular é formada historicamente por leigos e leigas, e até mesmo clérigos que desejam viver a espiritualidade franciscana no seu cotidiano.
No Século XII já existiam os chamados “penitentes”. Eram homens e mulheres que viviam a vida cristã em arrependimento e busca de santidade no cotidiano.
Vemos que a Terceira Ordem Franciscana, ou Ordem Franciscana Secular, surgiu no século XIII, pelo desejo manifestado por Francisco de incluir os leigos entre os seus seguidores (I Fiorette 1,16).
Na Obra de Thomaz de Celano 1, 15, vemos como o povo gostava de estar junto de Francisco e servi-lo. Luquésio de Poggibonzi e sua esposa Buona Donna desejaram ser seguidores de Francisco; e Francisco prometeu uma Regra para que o pudessem segui-lo sem sair de casa.
Na Legenda dos Três Companheiros (14,60), lê-se que os leigos “dedicavam-se a uma penitência muito generosa em suas casas”. 
Muitos autores ao falarem do século XIII, relataram que a partir de 1207 Francisco foi um penitente, até 1209, quando fundou a Ordem Primeira, sendo que ele com seus confrades se tornaram “pregadores itinerantes”.
“Se já na metade Século XII se tinha constatado no movimento penitencial um acréscimo, agora, sob o influxo dos frades menores, numerosos guias e orientadores, milhares de pessoas se reuniram, a vidas por viver este ideal”.
O imã atrativo era Francisco mesmo, com sua vivencia autentica aquilo que aspiravam.  A maior parte dos penitentes passou a seguir sua espiritualidade, difundida por seus confrades, e se tornaram então “ Penitentes de São Francisco”, embora nos documentos oficiais continuassem chamados “irmãos e irmã da penitencia”.
Somente no fim do século XIII, decênio depois da morte de Francisco se fala “da Ordem Terceira de São Francisco”.
Francisco é considerado o fundador da Ordem Terceira porque muitos jovens, homens e mulheres casados seguiram fielmente a espiritualidade franciscana e deram a origem à “ Ordem dos irmãos e irmãs da penitencia de São Francisco”, contudo, não existia um documento canônico assinado a respeito.
De 1221 a 1228, viveram o que dispunha “Memoriali Propositi”, regra aprovada pelo papa Gregório IX para todos os penitentes da época, por tanto sem nenhuma influencia franciscana.
Na regra não bulada dos frades menores – “Cap. XXIII, 16 a 22”, consta o ardente desejo de Francisco pelo salvação de toda humanidade.
Texto original no link: http://www.saofranciscogopouva.com.br
A inspiração original de Francisco consta da “carta aos fieis” onde está escrito:

Em nome do Senhor!
Dos que fazem penitência 
Todos os que amam o Senhor, "de todo coração, de toda a alma e de toda a mente, com todas as suas forças" (Mc 12,30) e "amam o seu próximo como a si mesmos" (Mt 22,39), e odeiam o próprio corpo com seus vícios e pecados, e que recebem o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e fazem dignos frutos de penitência: quão felizes são estes e estas que assim agirem e perseverarem até o fim, porque "sobre eles repousará o Espírito do Senhor" (Is 11,2) e Ele fará neles sua habitação e sua "morada" (Jo 14,23), e eles são filhos do Pai celestial (Mt 5,45) cujas obras fazem e são esposos, irmãos e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 12,50).
Somos esposos, quando a alma fiel está unida a Nosso Senhor Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Somos seus irmãos, quando fazemos "a vontade do Pai, que está nos céus" (Mt 12,50). Somos mães, quando o trazemos em nosso coração e em nosso corpo (1Cor 6,20) pelo amor divino e por uma consciência pura e sincera; e o damos à luz pelas obras santas que, pelo exemplo, devem ser luz para os outros (Mt 5,16).
Como é honroso ter no céu um Pai santo e grandioso! Como é santo ter um tal esposo, consolador, belo e admirável Como é santo e como é amável ter um tal irmão e um tal filho agradável, humilde, pacífico, doce, amorável e sobre todas as coisas desejável: Nosso Senhor Jesus Cristo que entregou sua vida por suas ovelhas (Jo 10,15) e por nós orou ao Pai, dizendo: "Pai santo, guarda-os em teu nome (Jo 17,11), os que me deste no mundo; eram teus, mas tu m’os deste (Jo 17,6). E as palavras que me deste, eu as dei a eles e as receberam e creram em verdade que saí de ti e conheceram que tu me enviaste" (Jo 17,8). Rogo por eles, "não pelo mundo" (Jo 17,9). Abençoa-os e "santifica-os" (Jo 17,17) e "por eles eu próprio me santifico" (Jo 17,19). "Não rogo somente por eles, mas também por quantos hão de crer em mim mediante a palavra deles (Jo 17,20), para que sejam santificados na unidade (Jo 17,23), como nós" (Jo 17,11). "Pai, quero que, onde eu estou, eles estejam comigo para que vejam a minha glória (Jo 17,24) no teu reino" (Mt 20,21). Amém.

Dos que não fazem penitência
Todos aqueles e aquelas que não vivem em espírito de penitência e não recebem o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e praticam vícios e pecados, e caminham atrás da má concupiscência e dos maus desejos da sua carne e não cumprem o que prometeram ao Senhor e com seu corpo servem ao mundo, aos desejos carnais, às solicitudes deste mundo e às preocupações desta vida: dominados pelo demônio, do qual são filhos e cujas obras praticam (Jo 8,41), estão cegos, porque não reconhecem a verdadeira luz, Nosso Senhor Jesus Cristo. Não possuem a sabedoria espiritual porque não têm o Filho de Deus, que é a verdadeira sabedoria do Pai; dos quais está escrito: "A sabedoria deles foi devorada" (S1 106,27) e: "Malditos os que se afastam dos teus mandamentos" (S1 118,21).

Percebem e reconhecem, têm consciência e praticam o mal e perdem deliberadamente suas almas. Reparai, ó cegos, iludidos por vossos inimigos: pela carne, pelo mundo e pelo demônio; porque é agradável ao corpo praticar o pecado, e amargo fazê-lo servir a Deus, porque todos os vícios e pecados "saem do coração do homem e de lá procedem" como diz o Senhor no Evangelho (Mc 7,21).

E nada tendes de bom neste mundo, nem no futuro. E julgais possuir por longo tempo as coisas deste mundo, mas estais enganados, porque virá o dia e a hora na qual não pensais, que desconheceis e ignorais. O corpo adoece, a morte se avizinha e assim o homem morre de uma morte infeliz. E onde, quando e de tal modo como venha a morrer um homem em pecado mortal, sem penitência e reparação - e ele pôde fazer penitência mas não a fez o demônio lhe arranca a alma do corpo sob tal angústia e medo, que ninguém é capaz de conhecer, senão aquele próprio que o experimenta. E ser-lhes-ão tirados (cf. Lc 18; Mc 4 25) todos os talentos e os poderes e a ciência e a sabedoria (2Cr 1,12) que julgavam possuir. E deixam os seus bens parentes e aos amigos e depois que estes se apoderam deles e os distribuíram entre si disseram: Maldita seja a sua alma, porque pôde ter dado e ganho mais para nós do que aquilo que conseguiu. 0 corpo, comem-no os vermes e assim eles perderam o corpo e a alma neste mundo passageiro, e irão para o inferno, onde serão atormentados para sempre.

Ao conhecimento de todos quantos chegar esta carta, rogamos, por aquele amor que é Deus (1Jo 4,16), que recebam benignamente estas palavras odoríferas de Nosso Senhor Jesus Cristo. E os que não sabem ler, façam-nas ler muitas vezes; e guardem-nas na memória, pondo-as santamente em prática até o fim, pois elas são "espírito e vida" (Jo 6,64). E os que não o fizerem, terão de prestar "contas no dia do juízo" (Mt 12,36), "perante o tribunal" de Nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 4,10).

Esser K., Opuscula S. Patris Francisci.
Editiones Colegii S. Bonaventurae, Ad
Claras Aquas, Grottaferrata, 1978, pp. 108-112.

            É seguindo esta tradição histórica que existem na atualidade Ordens Franciscanas Seculares na Igreja católica, Anglicana, Luterana e em muitas outras denominações cristãs.
            É baseado neste seguimento histórico que estamos trabalhando a OFSE – Ordem Franciscana Secular Evangélica. Que Deus nos abençoe nesta caminhada de fé e espiritualidade.
            Você é evangélico/protestante e deseja caminhar conosco? Entre em contato: franciscanoevangelico@hotmail.com

domingo, 23 de maio de 2010

A Conversão de Francisco de Assis


A Conversão é uma ação do Espírito de Deus no Espírito humano. A restauração espiritual parte de Deus. Ele que opera na vida do homem e da mulher.

Assim ocorreu com Francisco. Existe um texto biográfico chamado “Relato de três companheiros de São Francisco de Assis”
§§ 7-8 que revela o Início da conversão de Francisco.

"Certa noite, depois do seu regresso a Assis, os companheiros do jovem Francisco elegeram-no como chefe do grupo. Com tantas vezes tinha feito, mandou então preparar um suntuoso banquete. Depois de saciados, saíram todos e percorreram a cidade, a cantar. Os companheiros, em grupo, iam à frente de Francisco; este, empunhando o bastão de chefe, fechava o cortejo, um pouco mais atrás, sem cantar, mergulhado nos seus pensamentos. E eis que, de súbito, o Senhor lhe aparece, enchendo-lhe o coração de uma doçura tal, que ele ficou sem conseguir falar, sem se mexer [...].

Quando os companheiros se voltaram para trás e o viram assim tão longe deles, voltaram atrás e aproximaram-se, receosos; encontraram-no mudado, como se fosse outro homem. Perguntaram-lhe: «Em que é que pensavas para te esqueceres assim de nos seguir? Estarias a pensar em arranjar mulher?» «Têm toda a razão! Decidi ter esposa, uma esposa mais nobre, mais rica e mais bela do que todas as que vocês já viram». Os companheiros puseram-se a troçar dele [...].

A partir daquele momento, ele fazia os possíveis para que Jesus Cristo lhe ocupasse a alma, e bem assim aquela pérola que tanto desejava comprar depois de tudo ter vendido (Mt 13, 46).

Furtando-se frequentemente aos olhos dos que dele troçavam, ia muitas vezes – quase diariamente – orar em segredo. De alguma maneira a isso era impelido pelo gozo antecipado daquela doçura extrema que tantas vezes o visitava e que com tanta força o atraía, estando ele na praça ou noutros locais públicos, para a oração".

sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Planos de Pedro Bernadone e os Planos de Deus


Os planos de Pedro Bernadone e os Planos de Deus

Francisco nasceu em 1181 ou 1182, em Assis, Itália. Era filho de Pedro Bernardone, mercador de tecidos, e de Dona Pica. Recebeu, no batismo, ocorrido na catedral de São Rufino, o nome de João. Seu pai, ao regressar da Provença, mudou para Francisco (Francesco, Pequeno francês ou Francês), em homenagem à França, aonde ia abastecer-se de panos.
Seu nome foi uma jogada política e econômica do pai. O Sonho de Pedro Bernardone era grande. Seu filho seria um grande comerciante. O nome Francisco facilitaria o acesso aos franceses. Foi também uma homenagem a esposa, Dona Pica, que era de origem francesa.
Bernadone abastecia sua loja com os melhores panos da França. E seu “pequeno Francês” continuaria a visão empresarial do Pai.
Bernadone foi um pai responsável. Buscou ver sua família encaminhada e com prosperidade. Trabalhava com o zelo e conforto da família. Não desejava ver seus filhos passarem fome. Sua função era dar estabilidade e honra para a sua posteridade. Por isso também pensou em enviar Francisco as Cruzadas para que o mesmo alcançasse o título de cavaleiro. Foi um bom pai. No filme italiano do diretor Fabrizio Costa, Clara e Francisco (lançado no Brasil pela Editora Paulinas em 2008), o papel de Pedro Bernadone é muito bem retratado. Retrata a sua angústia, sua força, seu egoísmo e seu amor em levar um cobertor para Francisco quando este estava morrendo.
Pedro Bernadone tinha planos para seu filho. Ele só não contava com o fato de que Deus tinha outros planos.
O pai da terra queria seu filho rico. O pai do céu por sua vez deseja seu filho rico espiritualmente. Transformou Francisco no homem mais rico da história da Igreja. Considerado pelos leitores da Time como a maior personalidade do segundo milênio. Um homem rico de Deus. Rico do céu. Rico do Evangelho. Rico de santidade. Rico de compromisso com o Senhor Jesus. Rico no exemplo. Rico no despojamento. Rico em sua conversão e fidelidade ao Pai eterno.
Bernadone não sabia que O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR – Pv 16.1.
Francisco pega caminhos diferentes dos sonhos do pai. Ele faz uma opção em ser pobre. Totalmente pobre. Pobre como Jesus na cruz. Seu pai não entende, mas Francisco se transforma no homem segundo o coração de Deus.
Quais são os planos que você tem para sua própria vida?
Cuidado! Deus pode ter planos totalmente diferentes. Busque o que está no coração de Deus. Viver segundo Deus é melhor.

Irmão Edson Cortasio Sardinha, oesi – Pastor Metodista – edsoncortasio@hotmail.com

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Tempo Mistério no Presépio de Greccio

O ano é de 1223 d.C. Francisco estava cansado. Já havia tido duras experiências no Oriente. A Ordem Franciscana estava dividida e com atitudes de insubordinações.

Neste mesmo ano, junto a Fonte Colombo, Francisco redige a sua 3ª Regra, que é discutida no capítulo geral de junho. A discussão continua em Roma, e em outubro Francisco se dirige ao Papa para pedir a aprovação. Finalmente no dia 29 de novembro, Honório III aprova, com bula papal, a Regra definitiva. É então tempo de celebração.

Talvez desejasse ter passado o Natal em Belém. Não conseguiu.

Mas no dia 24 de dezembro, na noite de Natal, Francisco celebra a Festa do nascimento de JESUS em Greccio. Ali Francisco constrói o primeiro presépio.

Greccio é uma comuna italiana da região do Lácio, província de Rieti, Tem hoje cerca de 1.466 habitantes. Estende-se por uma área de 17 km2, tendo uma densidade populacional de 86 hab/km2. Faz fronteira com Contigliano, Cottanello, Rieti, Stroncone.

Este local foi transformado na Nova Belém. Lugar do mais importante presépio depois de Belém. Lugar onde Francisco reviveu o natal e nos ensinou a reviver a alergia da esperança e a celebração do Cristo que veio.

O que aconteceu nesta noite de Natal?

Tomás de Celano, o mais importante Biógrafo de Francisco (Biografia de São Francisco de Assis - Tomás de Celano, nºs 84 e 86) diz que “Sua maior aspiração, seu mais vivo desejo e mais elevado propósito era observar o Evangelho em tudo o por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os “passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina. Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas,. Precisamos recordar com todo respeito e admiração, o que fez no dia de Natal, no povoado de Gréccio, três anos antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado João. Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costuma fazer, e disse: “Se você quiser que celebremos o Natal em Gréccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que eu vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e contemplar com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”. Ouvindo isso o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou no lugar indicado o que o Santo tinha pedido. E veio o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os Irmãos. Homens e mulheres do lugar, coração em festa, prepararam como puderam tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim chegou o Santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Gréccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade. A noite ficou iluminada como o dia: era um encanto para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O Santo estava diante do presépio a suspirar, cheio de piedade e de alegria. A Missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote sentiu uma consolação jamais experimentada. O Santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o Santo Evangelho. De fato, era “uma voz forte, doce, clara e sonora”, convidando a todos às alegrias eternas., Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas doces como o mel, sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequem cidade de Belém. Muitas vezes quando queria nomear Cristo Jesus, chamava-o também com muito amor de “Menino de Belém”.

Segunda as palavras de Celano, percebemos os objetivos de Francisco ao construir o primeiro presépio. Seus objetivos foram:

a) Observar através do Presépio as palavras do Evangelho de Jesus;

b) Lembrar a humildade da encarnação do Senhor JESUS;

c) Reviver a situação pobre vivida por JESUS.

d) Contemplar a palha, o boi e o burro para tentar vivenciar a pobreza e a entrega total de JESUS

e) Reunir pessoas para a Celebração da fé na encarnação de Deus;

f) Transformar Gréccio em uma nova Belém

g) Louvar a pobreza e recomendar a humildade.

h) Realizar uma Missa, um culto a Deus vivendo e sentindo a alegria do momento do nascimento de Cristo.

i) Pregar o Evangelho e falar do grande amor de Deus.

Foram colocadas as palhas e os animais. A manjedoura ficou vazia por momentos. Mas ali Francisco pode contemplar JESUS. O Tempo Cronos deixou lugar para o tempo kairós. Entrou o tempo litúrgico, também chamado de tempo mistério. No tempo mistério não existe nem o hoje, nem o amanhã e nem o ontem. Reina o Mistério. Podemos vivenciar o que ocorreu um dia. Atualizamos os passos de Jesus. Como Isaías que vivenciou o que o messias iria passar no seu sofrimento de cruz, contando como se já estivesse acontecido.

Francisco usou o presépio para reviver, mergulhar no mistério do Natal. Não mergulhou só. Celebrou com o povo. Parecia estar com o menino no colo. Voltou a Belém e se fortaleceu em Deus para enfrentar seus últimos três anos de vida.

A fé se transformou em festa. A pobreza do menino de Belém foi o grande tesouro encontrado por Francisco.

Assim também devemos celebrar o Natal com o espírito franciscano. Vendo no Cristo de Belém o amor do Pai que se aproxima, até mesmo numa manjedoura.

Não há limites para o Deus apaixonado pelo ser humano. Está foi a grande alegria da celebração de Francisco. Esta deve ser também nossa alegria. Feliz mês do Natal.

Rev. Edson Cortasio Sardinha – edsoncortasio@hotmail.com

sábado, 14 de novembro de 2009

A SAUDAÇÃO "PAZ E BEM"

Hoje as igrejas evangélicas tem suas saudações próprias: Paz do Senhor; Graça e Paz; Paz seja convosco!

Alguns protestantes tem horror a saudações entre os crentes, mas usam com orgulho e soberba o Paz e Bem dos Franciscanos (ou usam com profunda sinceridade e carinho).

Alguns para se afirmarem como tradicionais e opositores ao movimento carismático, preferem um grande e gritante Bom Dia. Outros, para aparentarem avivamento ou falsa irmandade, dizem "Paz do Senhor. Irmão"!

O carinho e o simbolismo da saudação sempre esteve presente entre os discípulos e discípulas de Francisco.

Francisco saudava com Paz e Bem?

Talvez sim. Mas esta não foi a exigência entre seus discípulos.


A saudação franciscana de "Paz e Bem" tem sua origem na descoberta e na vocação do envio dos discípulos, que Francisco descobriu no Evangelho e, que ele colocou na Regra dos Frades Menores - "o modo de ir pelo mundo".

Lucas (10,5) fala na saudação "A paz esteja nesta casa", e Francisco acrescenta que a saudação deve ser dada a todas as pessoas que os frades encontrarem pelo caminho: "O Senhor vos dê a paz".

Observe que ele não diz PAZ e BEM. Diz pelo contrário: "O Senhor vos dê a paz".

No seu Testamento, Francisco revela que recebeu do Senhor mesmo esta saudação. Portanto, ela faz parte de sua inspiração original de vida: anunciar a paz.

A origem da saudação "Paz e Bem"

Muito antes de Francisco, o Mestre Rufino (bispo de Assis, na época em que Francisco nasceu), já escrevera um tratado, "De Bono Pacis" - "O Bem da paz" e, que certamente deve ter influenciado a mística da paz na região de Assis.

Na cidade haviam diferentes formas de saudação da paz, entre elas a de "Paz e Bem".

A paz interior como fundamento da paz exterior. Na Legenda dos três companheiros (58), Francisco dá para seus frades, o significado único para a paz:

"A paz que anunciais com a boca, mais deveis tê-la em vossos corações. Ninguém seja por vós provocado à ira ou ao escândalo, mas todos por vossa mansidão sejam levados à paz, a benignidade e à concórdia. Pois é para isso que fomos chamados: para curar os feridos, reanimar os abatidos e trazer de volta os que estão no erro".

Trata-se da paz do coração que conquistaram. Francisco exorta seus frades a anunciar a paz e a testemunhá-la com doçura, porque este é o único caminho de comunicação para atrair todos os homens para a verdadeira paz, Jesus Cristo. Nosso Senhor.

A saudação da paz, como primeira palavra que os frades dirigem aos outros, tem o objetivo de abrir os corações à paz, isto é, à força espiritual interior: a paz interior da bem-aventurança e a paz proclamada e dirigida a todos, constituem uma única e mesma realidade.

Os Franciscanos, primeiros discípulos de Francisco, aceitaram a pequena fórmula de Paz como um dos principais símbolos franciscanos. Ficou assim: Paz e Bem. Mesmo não sendo esta a saudação recomendada por Francisco.

Mais do que Paz do Senhor, Graça e Paz, O Senhor vos de a Paz (saudação de Francisco), ou Paz e Bem (saudação dos discípulos de Francisco), deve estar e reinar a verdadeira Paz em Nosso Coração. Só deseja paz verdadeira quem vive a paz verdadeira.

A paz verdadeira é Jesus, nosso único e suficiente salvador.

Edson Cortasio Sardinha

PESQUISA: http://www.franciscanos.org.br/carisma/simbolos/pazebem.php



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O TAU É BÍBLICO?


O Tau é Bíblico?

Há certos sinais que revelam uma escolha de vida. O TAU, um dos mais famosos símbolos franciscanos, hoje está presente no peito das pessoas num cordão, num broche, enfeitando paredes numa escultura expressiva de madeira, num pôster ou pintura. Existe uma idolatria com relação ao TAU. Alguns usam este símbolo procurando a proteção de Deus.
Por este motivo nós protestantes temos certas reservas com este importante símbolo da fé.
O TAU é um SINAL BÍBLICO. Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: "Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem".
O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção.
Deus manda Ezequiel marcar os homens que gemem e choram desejando a santidade do Senhor. Choram por ver abominações no Templo.
O TAU é a marca dos irmãos e irmãs que não aceitam um cristianismo adulterado pelo pecado. Secularizado pelas falsas teologias.
Francisco assumiu para si a marca do TAU como sinal de sua conversão e da dura batalha que travou para vencer-se. Não era tão fácil para o jovem renunciar seus sonhos de cavalaria para chegar ao despojamento do Crucificado que o fascinou. Escolhe ser um cavaleiro em santificação: eliminar os excessos, os vícios e viver a transparência simples das virtudes.
O Encontro de Francisco com o TAU foi tremendo. No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1.200 prelados, 412 bispos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam Domingos e Francisco de Assis. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no pecado, no luxo e no poder temporal. Papa Inocêncio III recordou e pregou o simbolismo do TAU de Ezequiel 9, 1-7.
Foi uma mensagem que falou ao coração de Francisco. Ele saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação da Palavra de Deus e andou marcando os irmãos com o TAU. Eram marcados seus irmãos que desejavam uma vida santa. Uma vida convertida. Uma vida que denunciava o pecado.
Passou a ser o sinal de santidade diante da idolatria e do pecado que a própria igreja estava mergulhada.
Os primeiros biógrafos escreveram: "O sinal do TAU era o preferido sobre qualquer outro sinal", " Francisco recomendava, freqüentemente, em suas palavras e o traçava com as próprias mãos no rodapé das breves cartas que escrevia, como se todo o seu cuidado fosse gravar o sinal do TAU, segundo o dito profético, sobre as fontes dos homens que gemem e lutam, convertidamente a Jesus", "O traçava no início de todas as suas ações", "Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas" (cf. LM 4,9; 2,9; 3Cel 3).
Assim Francisco vestia-se da túnica em forma de TAU. O TAU passou a ter total investidura de um ideal que abriu muitos caminhos.
Francisco se apropriou da bênção deuteronômica, transcreveu-a com o próprio punho e deu a Frei Leão: "Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a tua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz. Irmão Leão; o Senhor te abençoe!" Sob o texto da bênção, o próprio Frei Leão fez a seguinte anotação: "Francisco escreveu esta bênção para mim, Irmão Leão, com seu próprio punho e letra, e do mesmo modo fez a letra TAU como base".
O TAU é a última letra do alfabeto judaico e a décima nona letra do alfabeto grego. Não está aí por acaso; um código de linguagem reflete a vivência das palavras. O mundo judaico e, conseqüentemente, a linguagem bíblica mostram a busca do transcendente. É preciso colocar o Deus da Vida como centro da história. É a nossa verticalidade, isto é, o nosso voltar-se para o Alto. O mundo grego nos ensinou a pensar e perguntar pelo sentido da vida, do humano e das coisas. Descobrir o significado de tudo é pisar melhor o chão, saber enraizar-se. É a nossa horizontalidade. A Teologia e a Filosofia são servas da fé e do pensamento. Quem sabe onde está parte para vôos mais altos. É como o galho de pessegueiro, cortado em forma de tau é usado para buscar veios d'água. Ele vibra quando a fonte aparece cheia de energia.
Em geral, o Tau é pendurado no pescoço por um cordão com três nós. O fio condutor do Evangelho. A síntese da Boa Nova são os três conselhos evangélicos= obediência, pobreza, pureza de coração.
Antes de ser um símbolo da idolatria ou da proteção mágica dos símbolos (animismo), o TAU é símbolo dos que sofrem por uma igreja santa, livre do pecado e do mundanismo.
I João 5:19 - Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.
I João 5:4 - Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.
I João 5:5 - Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?

Que sejamos selados no coração pelo TAU do Senhor.
Francisco escolheu um símbolo maravilhoso para seu grupo de discípulos. Um símbolo que ainda fala no cotidiano da igreja do século XXI.

Edson Cortasio Sardinha
Baseado nos estudos do Por Frei Vitório Mazzuco, OFM.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A REFORMA FRANCISCANA



“Vá e restaura a minha igreja que está em ruínas”.



Francisco está junto às ruínas da Igreja de São Damião. Lá está um altar quebrado e uma cruz caída com um ícone de JESUS. O ano é 1205.

De onde veio esta voz?

Qual a mensagem de Deus a Francisco?

O que esta mensagem tem a ver conosco no século XXI?

Este momento é importante para entendermos a Reforma Franciscana. Conhecemos a Reforma Luterana e agora precisamos conhecer também sobre e Reforma que ocorreu 300 anos antes.

Francisco ouviu a voz do Senhor em 1205. Neste mesmo ano começaram os conflitos com o pai. Francisco não sabe o que acontecerá com sua vida. Mas decide ser instrumento de Deus. Não entende a voz e começa a restaurar igrejas quebradas, velhas e sujas de mato e entulhos.

Depois terá um esclarecimento sobre a revelação recebida: Ele estava sendo levantado para reformar a Igreja que estava em ruínas pelo pecado, a riqueza e do poder. Foi um instrumento de anuncio e denuncia contra a própria igreja.

Francisco nasceu em 1181/82 na cidade de Assis. Itália. É Batizado com o nome de Giovanni di Pietro (pai) di Bernardone (avô). Seu nome foi mudado mais tarde para Francisco.

Em 1202 vai a guerra civil entre Perúsia e Assis.

Assis é vencida em Collestrada. Francisco, com 20 anos, passa um ano preso em Perúsia. Lá encontra com o Evangelho de JESUS Cristo traduzido para a língua vulgar. É Resgatado pelo pai e está muito fraco devido à várias doenças. Nesse tempo a família de Clara está refugiada em Perúsia. Ela tem 8 ou 9 anos de idade. Clara será a mulher do ministério de oração e adoração perpétua de Jesus. Aprenderá com Francisco a viver o Evangelho.

A doença de Francisco é longa. Este é um período de tratamento de Deus. Fica enfermo até 1204: Uma Longa doença de dois anos.

Mas seu coração ainda não foi totalmente convertido. Foi um processo apenas iniciado e parado. Em 1204 ou 1205 Francisco parte novamente para a guerra. Agora ele vai para a guerra da Apúlia, no sul.

Mas tem uma visão e recebe uma mensagem em Espoleto. Deus lhe fala em sonhos. Ele escuta uma voz:

“A quem queres servir: ao servo ou ao Senhor?”

Francisco respondeu prontamente: “Ao Senhor, é claro!”

A voz tornou: ”Por que insistes então servir ao servo?”

Francisco entende que buscava apenas a glória humana e passageira, fazendo a vontade dos homens e não a vontade do Senhor..Deus estava chamando-o para ser cavalheiro de um comandante maior e mais poderoso.

Francisco Regressa a Assis.

Começa um momento de luta. É acusado de desertor. Passa a ser uma vergonha para o pai. Reinicia sua conversão gradual.

Sem entender os desígnios de Deus, vai para a Igreja de São Damião em 1205. Enquanto mexia nos entulhos da igreja, escuta a voz do Senhor lhe dizendo: “Vá e restaura a minha igreja que está em ruínas”.


De onde veio esta voz?

A voz não veio do ícone de JESUS na cruz. A voz veio do Senhor que escolheu Francisco para uma obra extraordinária: Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. I Coríntios 1:27


Qual a mensagem de Deus a Francisco?

Era uma mensagem de restauração e reforma da Igreja. A igreja estava em ruínas. São Damião representava o estado da Igreja que deixou o Evangelho do Senhor JESUS. Com a entrada de Constantino Magno, (313 d.C) a igreja foi se afastando do caminho da simplicidade e da fé na Palavra de Deus. A igreja começou a se envolver no pecado da política e foi devorada pela idolatria do poder. A igreja se perdeu e estava destruída, arrasada e em pedaços. Francisco estava sendo levantado para ser um instrumento de Deus e preparar a Igreja para a descoberta do Evangelho de Cristo.


O que esta mensagem tem a ver conosco no século XXI?

Como está a nossa igreja hoje? Podemos olhar para o movimento protestante. Ele tem sido uma vergonha em toda o mundo. Casamento de Gays; brigas por posições políticas; relativismo da Palavra de Deus; sincretismo religioso e ecumenismo que nega a soberania do Evangelho, a prosperidade como símbolo da fé, igrejas históricas vendendo seus templos para boates; igrejas em todo canto escandalizando o nome do Senhor. Um cristianismo frio, racional, relativista, mundano, sujo. Uma total ausência de santidade. Igreja com relacionamentos quebrados. Vidas doentes e em ruínas. Uma igreja amiga do mundo. Dominada pelo mundo. Atrapalhada pelo mundo. Igreja sem sal.

O Evangelho tem sido envergonhado todos os dias.


Deus continua falando que sua igreja está em ruínas?

Acredito que sim. Por isso que a mensagem de Francisco e seu amor incondicional pelo Evangelho de JESUS ainda agride nossos ouvidos e nos provoca. Sentimos envergonhados e longe dos projetos de Deus. Precisamos retornar a São Damião.


Rev. Edson Cortasio Sardinha