sexta-feira, 12 de junho de 2026
Santo Antônio de Lisboa e Pádua: O Pregador do Evangelho que Conquistou Corações
sábado, 23 de maio de 2026
Pentecostes: São Francisco de Assis e o Fogo do Espírito Santo.
Pentecostes: São Francisco de Assis e o Fogo do Espírito Santo.
“Vem, Espírito Santo, e renovai a face da terra.”
(Salmo 104)
O santo tempo de Pentecostes nos conduz novamente ao cenáculo da Igreja nascente, onde homens e mulheres reunidos em oração receberam o sopro divino prometido por Cristo. O Espírito Santo desceu como vento impetuoso e línguas de fogo, enchendo os discípulos de coragem, santidade e amor missionário. O medo transformou-se em anúncio, o silêncio em proclamação, e os corações tornaram-se altares vivos da presença de Deus.
Pentecostes não é apenas uma recordação litúrgica da descida do Espírito; é o contínuo derramamento da graça de Deus sobre Sua Igreja. É o chamado permanente para que o povo cristão viva na força do Evangelho, em arrependimento, comunhão, serviço e santidade.
Dentro da tradição franciscana, Pentecostes possui um significado profundamente espiritual. compreendia que nenhuma obra de Deus poderia existir sem a ação do Espírito Santo. Sua vida inteira foi moldada pelo fogo divino da humildade, da pobreza evangélica, da oração e do amor ardente por Cristo Crucificado.
Francisco desejava que seus irmãos fossem homens cheios do Espírito, vivendo não segundo os impulsos do mundo, mas segundo a inspiração divina. Em suas Admoestações, ele recorda que “o Espírito do Senhor repousará sobre aqueles que perseveram na paz, na humildade e na verdadeira caridade”. Sua espiritualidade não era baseada apenas em regras exteriores, mas em uma transformação interior operada pela graça do Espírito Santo.
Por isso, desde os primeiros anos da Ordem Franciscana, surgiu a bela tradição do chamado “Capítulo de Pentecostes”. Todos os irmãos se reuniam anualmente em oração, discernimento, comunhão fraterna e escuta da vontade de Deus. Não era apenas uma assembleia administrativa, mas um verdadeiro encontro espiritual, marcado pela fraternidade, simplicidade e busca sincera pela direção do Espírito Santo.
Os relatos antigos narram que milhares de frades se reuniam em Assis para celebrar Pentecostes ao lado de Francisco. Dormiam em cabanas simples, oravam juntos, ouviam exortações espirituais e partilhavam suas experiências missionárias. O centro daquele encontro não era o poder humano, mas a ação viva do Espírito de Deus conduzindo a fraternidade.
Hoje, a OFSE — Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos, unida à OESI — Ordem Evangélica dos Servos Intercessores, contempla essa herança espiritual com profunda reverência e gratidão. Celebrar Pentecostes é recordar que nossa vocação franciscana evangélica somente possui sentido quando é sustentada pelo sopro do Espírito Santo.
Somos chamados a viver uma espiritualidade encarnada, simples, bíblica e cheia da presença de Deus. Assim como Francisco abraçou os pobres, orou entre as montanhas, serviu os esquecidos e anunciou a paz de Cristo, também nós desejamos ser instrumentos do Reino em nosso tempo.
O Capítulo de Pentecostes da OFSE torna-se, portanto, um tempo de renovação espiritual, discernimento comunitário e consagração missionária. É ocasião para ouvir novamente a voz do Senhor dizendo:
“Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito.”
(Zacarias 4:6)
Em um mundo marcado pela ansiedade, pela violência e pela frieza espiritual, o Espírito Santo continua chamando homens e mulheres para uma vida de santidade, oração e serviço. A chama de Pentecostes ainda arde na Igreja. O vento do Espírito ainda sopra sobre aqueles que se colocam diante de Deus com humildade.
Que neste santo Pentecostes, a OFSE seja renovada pelo fogo divino. Que nossos corações sejam inflamados de amor por Cristo. Que nossas comunidades sejam lugares de paz, intercessão e acolhimento. E que, seguindo os passos de São Francisco de Assis, possamos proclamar com a vida o Evangelho da graça, da misericórdia e da esperança.
Pentecostes é o nascimento da missão.
Pentecostes é o fogo que purifica.
Pentecostes é o Espírito Santo formando Cristo em nós.
Que o Senhor derrame sobre Sua Igreja a plenitude do Seu Espírito.
Feliz Pentecostes!
Paz e Bem!
O Capítulo de Pentecostes na História Franciscana.
terça-feira, 14 de abril de 2026
O Trânsito do Poverello: 800 Anos de um Evangelho Encarnado
Texto para o Capítulo de 13 de junho de 2026
O Trânsito do Poverello: 800 Anos de um Evangelho Encarnado
Estudo de Capítulo – Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos (OFSE) Data: 13 de Junho de 2026
Introdução: O Memorial de um Servo
Irmãos e irmãs da Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos, a paz do Senhor Jesus, o nosso Sumo Bem, esteja com todos vocês.
Neste dia 13 de junho, nossa fraternidade se reúne para refletir sobre um marco que sacode as estruturas da nossa fé: os 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis (1226-2026). Para nós, Servos Evangélicos, esta data não é um exercício de saudosismo histórico, mas um chamado ao arrependimento e à renovação do nosso compromisso com o Evangelho. Francisco não buscou criar uma nova religião, mas sim resgatar a radicalidade do seguimento de Cristo que, muitas vezes, se perde nos corredores das instituições. Celebrar sua morte é, paradoxalmente, celebrar a vida abundante que ele encontrou ao se esvaziar de si mesmo.
I. A Centralidade de Cristo: O Servo que se Identifica com o Mestre
A identidade da OFSE encontra no Trânsito de Francisco o exemplo máximo de Cristocentrismo. Dois anos antes de sua partida, no Monte Alverne, Francisco experimentou em seu próprio corpo as marcas da Paixão. Para a nossa perspectiva evangélica, isso representa a conformidade absoluta com a cruz. Tommaso da Celano, em sua precisão histórica, descreve a intensidade dessa devoção:
"Ocupava-se sempre com Jesus. Jesus trazia no coração, Jesus na boca, Jesus nos ouvidos, Jesus nos olhos, Jesus nas mãos, Jesus em todos os membros." (Vida Primeira de S. Francisco, Cap. 9, 115; FF 442).
Francisco compreendeu que ser um "Servo Evangélico" é permitir que Cristo habite cada espaço da existência. No momento de sua morte, ele não se apegou nem mesmo à sua fama de santidade. Ao pedir para ser colocado nu sobre a terra nua na Porciúncula, ele demonstrou que a única riqueza que um servo possui é a graça de Deus. Ele morreu como viveu: sem nada de próprio, dependente apenas da Providência.
II. A "Irmã Morte" e a Soberania de Deus
Um dos pilares da nossa espiritualidade na OFSE é a reconciliação com a criação e com a nossa própria finitude. Francisco rompeu com a visão medieval de uma morte aterrorizante, tratando-a como parte da jornada em direção ao Pai. No Cântico das Criaturas, ele escreve:
"Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal, da qual homem algum vivente pode escapar." (Cântico das Criaturas, v. 27; FF 263).
Para nós, protestantes, essa "Irmã Morte" ecoa a promessa bíblica de que o morrer é lucro para quem está em Cristo. Francisco nos ensina que o servo evangélico não teme o fim, pois sua vida já está "escondida com Cristo em Deus". Esse despojamento final na Porciúncula é o selo de sua teologia: ele não possuía o Evangelho como uma teoria, ele o encarnava.
III. A Autoridade da Palavra: Viver "Sine Glossa"
Como membros de uma Ordem de Servos Evangélicos, a autoridade da Escritura é o nosso norte. Francisco foi um homem da Palavra. Em seu Testamento, redigido nas proximidades de sua morte, ele deixou uma instrução severa e vital:
"E a ninguém é permitido dizer: 'Assim se devem entender estas palavras'. Mas, como o Senhor me deu dizer e escrever a Regra e estas palavras de modo puro e simples, assim do mesmo modo as entendais sem glosa." (Testamento de S. Francisco, 38-39; FF 130).
Viver "sem glosa" significa viver sem desculpas. Francisco desafia a OFSE hoje a não domesticar o Evangelho para que ele caiba em nosso conforto secular. O Trânsito de Francisco nos pergunta: estamos prontos para obedecer à Palavra de Deus com a mesma simplicidade com que ele obedeceu? A morte de Francisco foi sua última pregação, confirmando que a Bíblia não deve ser apenas discutida, mas praticada até o último suspiro.
IV. O Convite ao Recomeço Permanente
Mesmo após uma vida de milagres, missões e pobreza radical, Francisco não se considerava "pronto". As fontes franciscanas registram que, em seus momentos finais, ele exortava os irmãos com humildade profunda:
"Comecemos, irmãos, a servir ao Senhor Deus, porque até agora pouco ou nada fizemos." (Vida Primeira, Tommaso da Celano, 103; FF 500).
Essa frase deve ser o eco constante em nossos capítulos. Ser um Servo Evangélico é estar em estado de constante "recomeço". Não importa quantos anos de caminhada tenhamos na OFSE, o exemplo de Francisco nos lembra que a santidade é um horizonte que buscamos todos os dias. Ele nos convoca a sair da estagnação e a renovar nosso zelo missionário e caritativo.
Conclusão: O Legado para a OFSE em Ji-Paraná
Irmãos, ao celebrarmos este capítulo em 13 de junho, olhemos para a nossa realidade local. O trânsito de Francisco aos 800 anos nos convida a ser instrumentos de paz em nossa cidade. Que a nossa fraternidade não seja apenas um grupo de estudos, mas uma comunidade de servos que, como Francisco, apontam apenas para Cristo.
Ele terminou sua jornada dizendo: "Eu fiz o que me cabia fazer; o que vos cabe, Cristo vo-lo ensine" (Legenda Maior, XIV, 3; FF 1239). Que ao final deste estudo, possamos ouvir a voz do Mestre nos ensinando o caminho do serviço, da pobreza e da alegria evangélica.
Que o Senhor vos dê a paz!
Perguntas para Estudo em Grupo
Identidade: Como o nome da nossa Ordem — Servos Evangélicos — se reflete na atitude de Francisco de querer ser apenas "um pequeno servo" diante da Palavra?
O Estigma do Serviço: Francisco carregava as marcas de Cristo. Quais são as "marcas" que o nosso serviço evangélico tem deixado na comunidade?
Viver sem Glosa: Qual ponto do Evangelho você sente que temos mais tentação de "glosar" (dar desculpas para não cumprir) em nossa vida secular?
A Irmã Morte: Como a serenidade de Francisco diante da morte pode nos ajudar a enfrentar as crises e "pequenas mortes" do nosso cotidiano?
quarta-feira, 11 de março de 2026
São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católicas e Protestantes
São Francisco de Assis e o Ecumenismo entre Igrejas Católicas e Protestantes
A história da Igreja cristã é marcada por momentos de unidade e também por períodos de profundas divisões. Entretanto, ao longo dos séculos, Deus levantou testemunhas cuja vida ultrapassa as fronteiras institucionais das igrejas. Entre essas figuras destaca-se São Francisco de Assis, o pobre de Assis, cuja espiritualidade continua a inspirar cristãos católicos e protestantes.
Mesmo tendo vivido séculos antes da Reforma Protestante, Francisco tornou-se, paradoxalmente, uma figura apreciada também no mundo protestante. Sua vida, profundamente enraizada no Evangelho de Jesus Cristo, oferece um caminho espiritual comum para cristãos de diferentes tradições.
O Evangelho como centro da vida cristã
O ponto central da espiritualidade de Francisco não foi uma teologia sistemática, mas a simplicidade do Evangelho. Quando ouviu a leitura do envio missionário dos discípulos (Mt 10), ele compreendeu que Deus o chamava a viver literalmente segundo o Evangelho.
Seu desejo era simples: seguir Cristo de forma radical.
O primeiro biógrafo franciscano, Tomás de Celano, registra que Francisco desejava apenas “viver segundo a forma do santo Evangelho”.¹ Essa expressão tornou-se a base da espiritualidade franciscana.
Essa centralidade da Palavra de Deus aproxima, em certo sentido, Francisco de ênfases importantes da tradição protestante. Reformadores como Martinho Lutero insistiram que a Igreja deve constantemente retornar à autoridade das Escrituras e ao chamado do Evangelho.²
Embora Francisco não tenha sido um reformador institucional, sua vida apontava para uma reforma espiritual permanente: voltar ao Cristo do Evangelho.
A pobreza evangélica como testemunho profético
No início do século XIII, a Igreja vivia um período de grande poder social e econômico. Foi nesse contexto que Francisco escolheu voluntariamente a pobreza.
Ele desejava viver como Cristo e como os apóstolos. Essa escolha não foi uma rebelião contra a Igreja, mas um chamado profético para que os cristãos redescobrissem a simplicidade do discipulado.
Por essa razão, diversos historiadores da espiritualidade consideram Francisco uma das grandes vozes de renovação da Igreja medieval.³
Sua vida lembrava que a Igreja não existe para acumular riquezas, mas para testemunhar o Reino de Deus.
A fraternidade universal
Outro aspecto profundamente marcante da espiritualidade franciscana é a fraternidade universal. Francisco via todas as criaturas como parte da criação de Deus. Por isso falava de “irmão sol”, “irmã lua” e “irmã água”.
Essa visão aparece de forma belíssima no Cântico das Criaturas, um dos textos espirituais mais conhecidos da tradição cristã.
Essa espiritualidade da criação influenciou profundamente o pensamento cristão moderno, especialmente na teologia da paz, da criação e da reconciliação.
Não é por acaso que, em tempos recentes, encontros de oração pela paz entre diferentes religiões foram realizados na cidade de Assis, inspirados pelo testemunho de Francisco e convocados por Papa João Paulo II.⁴
A redescoberta protestante de Francisco
Durante muito tempo, ambientes protestantes mantiveram certa distância da espiritualidade dos santos. Entretanto, ao longo do século XX, muitos cristãos redescobriram a profundidade espiritual da vida de Francisco.
Teólogos, historiadores e pastores passaram a estudar sua vida não como objeto de devoção, mas como testemunho cristão exemplar.
O escritor cristão G. K. Chesterton contribuiu muito para essa redescoberta com sua famosa biografia sobre Francisco, apresentando-o como um homem profundamente apaixonado pelo Evangelho.⁵
Hoje não é raro encontrar comunidades protestantes que estudam a espiritualidade franciscana ou mesmo fraternidades inspiradas em sua vida simples de oração, serviço e amor aos pobres.
Francisco e o espírito do ecumenismo
O movimento ecumênico busca a unidade visível entre os cristãos sem negar as diferenças históricas entre as igrejas.
Nesse contexto, o testemunho de Francisco oferece importantes caminhos espirituais:
1. Centralidade de Cristo
Toda a vida de Francisco girava em torno de Cristo crucificado e ressuscitado.
2. Testemunho antes de controvérsia
Ele anunciava o Evangelho mais pelo exemplo de vida do que por disputas teológicas.
3. Humildade e conversão do coração
A verdadeira unidade cristã nasce da humildade, do arrependimento e da reconciliação.
Esses princípios são fundamentais para o diálogo ecumênico contemporâneo e inspiram o trabalho de organismos cristãos internacionais, como o Conselho Mundial de Igrejas.⁶
Conclusão
A vida de São Francisco continua a falar profundamente à Igreja de hoje.
Católicos o veneram como santo e fundador de uma das maiores tradições espirituais do cristianismo. Muitos protestantes, por sua vez, o reconhecem como um poderoso testemunho de discipulado evangélico.
Em tempos marcados por divisões históricas entre igrejas, o pobre de Assis recorda a todos os cristãos uma verdade essencial: quando o Evangelho é vivido com simplicidade e fidelidade, ele se torna uma ponte de comunhão entre os discípulos de Cristo.
Assim, a vida de Francisco permanece como um convite permanente à Igreja: voltar ao Evangelho, viver em humildade e buscar a unidade no Senhor.
Notas
1. Tomás de Celano. *Vida de São Francisco*. Primeira biografia oficial do santo, escrita no século XIII.
2. Martinho Lutero. Ver especialmente sua ênfase na autoridade das Escrituras e na necessidade de reforma constante da Igreja.
3. LE GOFF, Jacques. *São Francisco de Assis*. Rio de Janeiro: Record.
4. Encontro inter-religioso de oração pela paz realizado em Assis por iniciativa de Papa João Paulo II em 1986.
5. G. K. Chesterton. *São Francisco de Assis*. São Paulo: Ecclesiae.
6. Conselho Mundial de Igrejas, organismo internacional dedicado à promoção do diálogo ecumênico entre igrejas cristãs.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
São Francisco de Assis e a Vida Consagrada: uma leitura protestante franciscana
São Francisco de Assis e a Vida Consagrada: uma leitura protestante franciscana
Quando falamos de São Francisco de Assis a partir de uma perspectiva protestante, não o fazemos como objeto de veneração, mas como testemunha histórica do Evangelho. Para a OFSE – Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos, Francisco permanece como um sinal vivo de discipulado radical, simplicidade cristã e fidelidade à Palavra de Deus.
Sua vida consagrada não nasce de um ideal monástico isolado, mas de uma resposta concreta ao chamado de Cristo:
“Segue-me” (Mt 9,9).
Conversão e arrependimento: o início do caminho
A trajetória de Francisco começa com arrependimento. Filho de um rico comerciante, ele experimenta uma profunda transformação interior que o conduz à renúncia voluntária de status, segurança e bens materiais. Essa conversão não é fuga do mundo, mas retorno ao coração do Evangelho.
À luz da fé protestante, vemos em Francisco um testemunho claro de que a vida consagrada não é conquista humana, mas resposta à graça de Deus:
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados” (At 3,19).
Pobreza evangélica: liberdade para servir
A pobreza assumida por Francisco não deve ser entendida como ascetismo meritório, mas como liberdade cristã. Ao escolher não possuir, ele se torna livre para amar, servir e confiar inteiramente na providência divina.
Esse princípio encontra sólido fundamento bíblico:
“Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6,24).
“Tendo o que comer e vestir, estejamos contentes” (1Tm 6,8).
Na espiritualidade da OFSE, a pobreza evangélica continua sendo um sinal profético contra o consumismo e os ídolos do nosso tempo, apontando para uma vida simples, centrada em Cristo.
Vida fraterna: discipulado vivido em comunhão
Francisco nunca viveu sua fé de forma isolada. Sua vida consagrada foi profundamente fraterna e comunitária, refletindo o modelo da Igreja primitiva:
“Da multidão dos que creram era um o coração e a alma” (At 4,32).
Para a OFSE, a fraternidade é expressão concreta do Evangelho vivido. Não substitui a Igreja local, mas caminha com ela, fortalecendo o testemunho cristão por meio da comunhão, da oração e do serviço mútuo.
Missão e cuidado com a criação
A espiritualidade franciscana sempre compreendeu a missão como proclamação e encarnação do Evangelho. O cuidado com a criação, tão presente na vida de Francisco, nasce da convicção bíblica de que o mundo pertence ao Senhor:
“Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe” (Sl 24,1).
Para a tradição protestante franciscana, esse cuidado não é ideologia, mas responsabilidade espiritual, fruto da fé que se expressa em obras:
“A fé, se não tiver obras, está morta em si mesma” (Tg 2,17).
Um testemunho atual para a Igreja de hoje
Séculos depois, o testemunho de Francisco continua desafiando a Igreja. Ele nos lembra que a vida consagrada não é privilégio de poucos, mas chamado à inteireza do discipulado cristão. Assim como John Wesley afirmaria mais tarde, a verdadeira fé transforma o coração e se manifesta na vida cotidiana.
Para a OFSE, Francisco inspira uma espiritualidade evangélica marcada por oração constante, simplicidade, serviço humilde e compromisso com o Reino de Deus.
Conclusão
Ler a vida consagrada de São Francisco de Assis a partir de uma perspectiva protestante não é olhar para trás com saudade, mas discernir, no passado, um chamado para o presente. Seu testemunho aponta para Cristo, centro da fé cristã, e nos convida a viver o Evangelho com fidelidade, coragem e amor.
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10,31).
Nota explicativa: o que entendemos por franciscanismo protestante
Quando utilizamos a expressão franciscanismo protestante, não nos referimos à reprodução acrítica do modelo medieval de vida religiosa, nem à adoção de práticas devocionais alheias à fé reformada. Trata-se, antes, de uma leitura evangélica do testemunho de São Francisco de Assis, discernida à luz das Escrituras e da centralidade da graça de Deus em Cristo.
Na perspectiva da OFSE – Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos, o franciscanismo protestante é um carisma espiritual, não um sistema sacramental ou meritório. Ele se expressa por meio de valores profundamente bíblicos: arrependimento, simplicidade de vida, fraternidade cristã, amor à criação, compromisso missionário e serviço humilde.
A vida consagrada, nesse contexto, não é entendida como estado superior de santidade, mas como forma específica de discipulado, vivida em liberdade evangélica e em comunhão com a Igreja. Não substitui a vocação comum de todo cristão, mas a testemunha de maneira visível e profética.
Assim, o franciscanismo protestante busca recordar à Igreja de hoje que seguir a Cristo implica viver o Evangelho de modo integral — no coração, na comunidade e no mundo — sempre sob a autoridade da Palavra de Deus e na confiança exclusiva em Sua graça.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
SIMPLICIDADE DO NATAL!
A SIMPLICIDADE DO NATAL!
Glória a Deus nas alturas!Nasceu o Salvador Jesus Cristo e temos então o céu na terra!
Santo, Santo, Santo é o Deus todo Poderoso que cumpre em fidelidade
suas lindas promessas.
O natal é um encontro de amor de Deus com o seu povo e o seu povo
então agraciado e abençoado depois de tantas demonstrações de fidelidade
do Pai, terá então a oportunidade de se redimir e reconhecer que Jesus é
verdadeiramente nosso único e legítimo!
Assim, como está no Evangelho de Luca 2:16
16- Então correram até o local e chegando, encontraram Maria e
José, e o recém nascido deitado numa manjedoura.
A simplicidade de Deus nos deve encantar!
A alegria de Deus manifesta na terra!
O amor de Deus preenchendo a humanidade e a luz, afastando e vencendo
as trevas.
Assim, para o franciscano, o natal é uma eternidade de bênçãos, uma
esperança renascida da paz, um encontro espiritual com a realidade da
presença de Deus encarnado para sempre em nosso meio.
A oração neste instante deve ser o elo principal deste encontro de amor
e a disciplina de oração, uma demonstração para Deus e Jesus nossa união
é para sempre.
ORAÇÃO
Querido Deus e Pai amado, nos te damos graças por ser
nosso Deus!
Te damos graças por teu Filho Jesus!
És o nosso único Deus e Jesus encarnado, nosso único e
legítimo Salvador!
Obrigado Pai!
Obrigado Jesus!
Obrigado Espírito Santo de Deus!
Que possamos viver um natal verdadeiro sempre!
Que possamos viver a realidade da encarnação de Cristo
hoje e sempre!
Amém e graças a Deus!
Frei Isaac do Sagrado Silêncio de Deus
OFSE- ORDEM FRANCISCANA SECULAR EVANGÉLICA
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Mensagem de Natal 2025 aos irmãos e irmãs da OFSE
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
“Preparai o Caminho do Senhor” (Is 40.3): Um Caminho Franciscano-Protestante para o Natal
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
VIDA DE ORAÇÃO!
EVANGELHO DE JOÃO 16,24
24- Até agora, não pedistes nada em meu nome.
Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja
completa.
É esta confiança maravilhosa que Cristo Jesus nos dá ao nos assegurar
que pedindo em seu nome, teremos nossas petições atendidas desde que
estejam em conformidade com a Santa Vontade do Pai que tanto nos ama!
Temos que ter fé e descansar em Cristo Jesus, pois desde sempre seu amor
por nós é infinito.
Amados irmãos e irmãs, lembremo-nos sempre que Deus nosso Pai nunca se
agrada da morte do ímpio sem salvação.
Saibamos pedir e pedir com amor por todos, pois cabe somente a Deus julgar
e temos nosso grande intercessor, Jesus Cristo!
Ainda no Evangelho de João 16-33, diz:
33- Eu vos disse estas coisa para que, em mim,
tenhais paz.
No mundo tereis aflições.
Mas tende coragem!
Eu venci o mundo.
Sim, com Cristo Jesus, venceremos nossas aflições e o encontraremos tendo uma
vida de oração.
Tendo uma vida de renúncias e entrega aos cuidados do Pai amado!
Somos de Deus!
Somos de Cristo Jesus!
Somos do Espírito Santo de Deus!
Paz e bem!
Frei Isaac do Sagrado Silêncio de Deus
OESI- ORDEM EVANGÉLICA DOS SERVOS INTERCESSORES
OFSE-ORDEM FRANCISCANA DOS SERVOS EVANGÉLICOS
VIDA DE ORAÇÃO!
EVANGELHO DE JOÃO 16,24
24- Até agora, não pedistes nada em meu nome.
Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja
completa.
É esta confiança maravilhosa que Cristo Jesus nos dá ao nos assegurar
que pedindo em seu nome, teremos nossas petições atendidas desde que
estejam em conformidade com a Santa Vontade do Pai que tanto nos ama!
Temos que ter fé e descansar em Cristo Jesus, pois desde sempre seu amor
por nós é infinito.
Amados irmãos e irmãs, lembremo-nos sempre que Deus nosso Pai nunca se
agrada da morte do ímpio sem salvação.
Saibamos pedir e pedir com amor por todos, pois cabe somente a Deus julgar
e temos nosso grande intercessor, Jesus Cristo!
Ainda no Evangelho de João 16-33, diz:
33- Eu vos disse estas coisa para que, em mim,
tenhais paz.
No mundo tereis aflições.
Mas tende coragem!
Eu venci o mundo.
Sim, com Cristo Jesus, venceremos nossas aflições e o encontraremos tendo uma
vida de oração.
Tendo uma vida de renúncias e entrega aos cuidados do Pai amado!
Somos de Deus!
Somos de Cristo Jesus!
Somos do Espírito Santo de Deus!
Paz e bem!
Frei Isaac do Sagrado Silêncio de Deus
OESI- ORDEM EVANGÉLICA DOS SERVOS INTERCESSORES
OFSE-ORDEM FRANCISCANA DOS SERVOS EVANGÉLICOS
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
A Espiritualidade da Franciscana Isabel da Hungria
Nessa situação, mandou cantar um Te Deum, para agradecer a
Nosso Senhor a graça de sofrer em união com Ele.
Texto baseado em: QUEIROZ, Antonio. Revista Arautos do Evangelho, Nov/2004, n. 35, p. 22 à 25)
O Presépio de Greccio – Releitura Protestante da narrativa de Tomás de Celano
O Presépio de Greccio – Releitura Protestante da narrativa de Tomás de Celano
Era tempo de Natal. Francisco, servo do Senhor, desejava celebrar o nascimento do Salvador de modo profundamente espiritual.
Dizia ele aos irmãos:
“Quero trazer à memória o nascimento do Senhor Jesus em Belém; quero contemplar, com os olhos da fé, a humildade daquele Menino que se fez carne por nós; quero recordar o modo como foi deitado numa manjedoura, entre o boi e o jumento, para que jamais esqueçamos o amor de Deus que se fez pobre para nos enriquecer com a sua graça.”
Com o coração ardente, pediu que num bosque de Greccio fosse preparado um lugar simples, com feno e uma manjedoura, e que se colocassem ali os animais do campo. Não se tratava de um espetáculo, mas de uma oração viva, um Evangelho em imagem, para reacender no povo o amor por Cristo encarnado.
Chegada a noite de Natal, irmãos e irmãs das vilas vizinhas subiram ao monte com tochas e cânticos. A luz das chamas iluminava o escuro da montanha como se o próprio céu descesse à terra. Todos se reuniram ao redor da manjedoura, e Francisco, cheio de alegria, contemplava aquele sinal: o Verbo feito carne, o Senhor da glória deitado no feno.
Ali, na simplicidade daquele lugar, a Palavra foi lida e proclamada. Francisco falou do Rei que veio pobre, do Criador que se fez criatura, do Senhor que desceu para servir. Sua voz tremia de emoção, e muitos choravam, pois compreendiam que o Salvador nasceu não em palácios, mas entre os humildes, para redimir os pecadores e reconciliar o mundo com Deus.
Entre os presentes, um dos irmãos teve uma visão interior: parecia-lhe ver o Menino Jesus deitado na manjedoura, e Francisco o tomava com ternura, como quem desperta alguém do sono. E compreendeu-se que o sentido dessa visão era espiritual: por meio do testemunho de Francisco, o amor por Cristo adormecido em muitos corações foi despertado novamente.
Desde então, Greccio tornou-se símbolo de renovação espiritual, lembrando a todos que o verdadeiro Natal acontece quando Cristo nasce no coração de quem crê.
E ali, onde antes havia apenas feno e silêncio, ergueu-se o louvor do povo que compreendeu o mistério:
“O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade” (João 1.14).
Reflexão devocional
O presépio de Greccio nos ensina que o Natal não é um enfeite, mas uma confissão: Deus veio habitar conosco.
A manjedoura é um altar da humildade divina, onde o Senhor da eternidade se curva para servir.
Assim, quando contemplamos o presépio, somos convidados não a adorar as formas, mas a adorar o Cristo vivo, o Emanuel, Deus conosco, que nasceu, morreu e ressuscitou por nós.
domingo, 2 de novembro de 2025
Comentário Devocional do Cântico das Criaturas - nos 800 anos.
Comentário Devocional do Cântico das Criaturas - nos 800 anos.
A criação que se torna oração
Por Ir. Rev. Edson — para a OFSE (Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos)
O Cântico das Criaturas, composto por São Francisco de Assis em 1225, é mais do que poesia: é uma profissão de fé cósmica. Nascido do sofrimento e da contemplação, ele traduz o Evangelho em linguagem da criação. A OFSE, ao lê-lo em chave protestante, reconhece nele uma confissão que une o amor bíblico por Deus à gratidão pela obra de suas mãos.
“Altíssimo, onipotente, bom Senhor, teus são o louvor, a glória, a honra e toda bênção.”
Francisco inicia o Cântico com uma doxologia. Como nos salmos, o louvor não é opção, mas obrigação santa (Sl 150). A teologia reformada também começa aqui: Deus é o centro de toda glória. Como declara João Calvino (Institutas, I.1.2), “a verdadeira sabedoria consiste em conhecer a Deus e a si mesmo”. A OFSE reconhece que toda vocação franciscano-evangélica começa na contemplação do Altíssimo e termina no serviço humilde.
“Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol...”
O Sol é símbolo da presença benevolente do Criador. Em Gênesis 1, o Sol e a Lua são servos de Deus, não divindades. Francisco, iluminado pela graça, os vê como irmãos. Lutero também afirmava que “todas as criaturas são máscaras de Deus” (WA 10/3, 392), isto é, instrumentos pelos quais Ele se revela. Assim, o servo da OFSE aprende a ver na natureza uma liturgia: cada raio de luz é um versículo do Evangelho natural que proclama a glória do Senhor (Sl 19.1).
“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e pelas estrelas...”
Francisco não adora os astros, mas adora o Criador que lhes deu ordem e esplendor. O monge Basílio Magno, em suas Homilias sobre a Criação (Hom. II), dizia: “Quando contemplas o céu, não te detenhas na beleza das estrelas, mas sobe em pensamento até o Criador.” A espiritualidade da OFSE retoma essa escada da contemplação: a beleza é um degrau, não o destino.
“Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão Vento, e pelo ar, e pelas nuvens, e pelo sereno e todo o tempo...”
Aqui se revela uma teologia da providência. Francisco louva o Deus que governa o clima, o invisível e o imprevisível. Em linguagem protestante, é o mesmo Deus que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons” (Mt 5.45). Louvar o vento é confiar na soberania divina em meio às mudanças — uma lição para cada servo evangélico que vive o ministério em tempos incertos.
“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água... pelo irmão Fogo...”
Francisco contempla a utilidade das criaturas. A água purifica e o fogo aquece — sinais sacramentais da graça. João Wesley, em seu Sermão sobre os Meios de Graça (Sermão 16), ensina que “Deus se comunica a nós por instrumentos materiais, simples e visíveis.” A natureza, portanto, é um sacramental do amor de Deus, e a OFSE vê nela uma escola de humildade e dependência.
“Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a Mãe Terra...”
A terra é fecunda e paciente, como o próprio Cristo que, no silêncio do túmulo, germinou a nova criação. O servo franciscano evangélico aprende a amar o chão que pisa e a cuidar dele como mordomo do Reino (Gn 2.15). Lutero escreveu que “o trabalho do camponês é tão santo quanto o do pregador, pois ambos servem à criação de Deus” (WA 15, 664).
“Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor...”
Aqui o cântico se eleva do cosmos ao coração humano. O perdão é o milagre moral da criação redimida. É neste ponto que Francisco encontra o Cristo crucificado. A cruz é o verdadeiro sol da alma, e a OFSE, ao contemplar esse versículo, recorda que o maior louvor é suportar as dores com paz e intercessão.
“Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a Morte corporal...”
Francisco encerra com um canto de esperança. Para o mundo, a morte é silêncio; para o servo de Cristo, é o último versículo de um salmo que termina em glória. Paulo declarou: “Morrer é lucro” (Fp 1.21), e Wesley reafirmou: “O crente morre cantando.” A espiritualidade franciscano-evangélica acolhe essa verdade: quem vive em louvor morre em adoração.
Assim, o Cântico das Criaturas é, para a Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos (OFSE), uma lectio divina da criação — um salmo maior, onde tudo canta o Evangelho. Cantar este cântico é confessar que Cristo é Senhor do visível e do invisível, e que “nele tudo subsiste” (Cl 1.17).
sexta-feira, 31 de outubro de 2025
o Cântico das Criaturas e a Reforma Protestante
O Cântico da Criaturas e a Reforma
A espiritualidade franciscana protestante do louvor
Por Ir. Rev. Edson — para a OFSE (Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos)
Em 1225, São Francisco de Assis entoou o Cântico das Criaturas, também chamado de Cântico do Irmão Sol, oferecendo à Igreja um dos mais belos testemunhos da integração entre fé e criação. O texto, nascido da pobreza e da contemplação, tornou-se uma das expressões mais puras da teologia do louvor. O que muitos esquecem é que esse mesmo espírito atravessou os séculos e reencontrou sua voz na Reforma Protestante, quando o louvor foi novamente reconhecido como resposta livre e viva à graça de Deus.
A OFSE, como expressão contemporânea do franciscanismo protestante, lê o Cântico das Criaturas à luz da Escritura e da Reforma, reconhecendo que, tanto em Francisco quanto em Lutero, há uma mesma paixão pelo Deus encarnado e pela bondade de sua criação. Ambos reagiram à espiritualidade fria e distante do seu tempo. Francisco o fez saindo dos palácios para cantar com os pobres; Lutero, saindo dos claustros para cantar com o povo de Deus.
Martinho Lutero afirmou: “A música é dom de Deus, não invenção humana; ela expulsa o demônio e torna as pessoas alegres” (WA 50, 370). O Cântico das Criaturas reflete o mesmo princípio: a criação é uma sinfonia que louva o Criador. Assim como Lutero traduziu os salmos para que o povo pudesse cantar a fé, Francisco traduziu a criação em louvor para que toda a natureza se tornasse oração.
A teologia reformada da criação, expressa em João Calvino (Institutas, I.14.20), reforça essa mesma visão: “Toda a criação é um espelho no qual podemos contemplar a glória de Deus”. Francisco, sete séculos antes, já havia contemplado essa glória ao chamar o sol, o vento e a água de irmãos e irmãs. Na espiritualidade da OFSE, esses ecos se encontram — a humildade franciscana e a reverência reformada formam uma única melodia de adoração.
Mas o louvor franciscano-protestante não é apenas estético; ele é ético e missionário. Como recorda João Wesley, “a santidade não é outra coisa senão amor em ação” (Sermão 92, Sobre a Santidade Interior e Exterior). O cântico torna-se missão quando se transforma em cuidado, quando o servo evangélico vê no irmão, na criação e nos pobres o rosto de Cristo sofredor. Assim, o louvor se faz serviço.
A Ordem Franciscana dos Servos Evangélicos (OFSE) vive, portanto, essa herança de maneira encarnada: cantar é evangelizar, louvar é servir, contemplar é cuidar. No cântico e na cruz, o servo franciscano reconhece que “dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Rm 11.36).
O Cântico das Criaturas, relido à luz da Reforma, é uma ponte espiritual entre Assis e Wittenberg. Em ambos, o Evangelho é redescoberto como liberdade e gratidão. Na OFSE, celebramos esse cântico não como relíquia medieval, mas como oração viva do coração protestante que crê, trabalha e louva — porque, em Cristo, “toda a criação geme e aguarda” (Rm 8.22), mas também canta a esperança de sua redenção.