sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Festa Ágape


O Encontro de Francisco e Clara

A Festa Ágape

Algumas igrejas cristãs, como a metodista, relembram a festa primitiva chamada Festa ágape. Hoje no ritual metodista temos um roteiro para esta graciosa celebração com Pão e Água.

Francisco também teve sua Festa ágape com Clara.

Francisco já havia feito um caminho de seis anos após a sua conversão quando recebeu Claro no seu ministério.

Assim escreveu Omer Englebert, em sua “Vida de São Francisco de Assis”: "Clara possuía grande bom senso, um coração afetuoso e fiel, uma doce e prudente obstinação, uma coragem que não recuava diante de nada. Tinha o dom de fazer-se amar e era tão persuasiva que Francisco, os cardeais e os papas acabavam cedendo ao seu parecer (...). Clara é uma crente de Jesus com as características mais nobres e encantadoras de que a história tem notícia.

Francisco deixou Clara caminhar e descobrir sua própria experiência com Deus. Clara foi morar em São Damião e ali viver de oração e santidade. Criou um ministério de intercessão integral. Francisco não foi muito a São Damião respeitando sempre a caminhada de Clara.

Omer Englebert diz: "Se, por vários anos, Francisco deixou de percorrer com a mesma assiduidade de antes o caminho que leva da Porciúncula a São Damião, foi sobretudo para instrução dos seus: "Não penseis, dizia aos que o censuravam, que meu amor por irmã Clara e suas companheiras tenha diminuído, mas é que devo servir-vos de exemplo. O ministério das irmãs somente devem exercê-lo aqueles que tenham demonstrado, através de longa experiência, possuir o espírito de Deus".

Um dia consentiu em convidar Clara para um jantar em Santa Maria dos Anjos. Tratava-se de um favor que Clara há tempo procurava em vão obter. Confiou sua causa aos amigos mais caros de Francisco, que também eram seus, os quais lhe disseram: - É excessivo e contrário à caridade divina o rigor com que recusas atender ao desejo de Clara, virgem tão piedosa e cara ao Senhor. Não esqueças que, afinal, ela é tua plantinha espiritual e que foram tuas exortações que a tiraram das ilusões do século.

- Então, pensais que devo jantar com ela?


- Seguramente! E ainda que te pedisse muito mais, tu devias lho conceder.


- Pois bem, se este é vosso parecer, concordo convosco. E para que seja maior o contentamento de nossa irmã Clara, tomaremos a refeição aqui na Porciúncula. Pois há muito tempo que ela vive reclusa em São Damião e nada poderá agradar-lhe mais do que rever o lugar de seus esponsais com o Senhor.


No dia combinado, Clara chegou acompanhada de outra irmã. Reviveu com carinho seus primeiros passos de consagração integral a Deus.

Francisco, que, segundo seu costume, fizera servir a mesa sobre o chão, sentou ao lado dela; os demais tomaram seus respectivos lugares e todos se dispuseram a comer. Mal, porém, haviam tomado os primeiros bocados, Francisco se pôs a falar de Deus e todos foram arrebatados em êxtase.

Logo, uma multidão acorreu ao convento. Eram habitantes de Assis, de Bettona e arredores que, vendo chamas sobre o bosque, acreditavam ter irrompido um grande incêndio em Santa Maria dos Anjos, e vinham para apagá-lo. Mas puderam constatar que não havia dano algum. Quando, ao entrar na sala do banquete, encontraram Francisco e os demais comensais com as mãos juntas e os olhos fixos no céu, compreenderam que as chamas que pensaram ver eram as da Unção de Deus que ardiam sobre aqueles crentes. Os habitantes de Assis retiraram-se edificados e confortados.
O documento biográfico intitulado “Fioretti” diz que foi tal a abundância de consolações espirituais, que Francisco, Clara e os demais irmãos mal tocaram nos alimentos, e vários deles não provaram sequer bocado.


O amor de Francisco e Clara era intenso. Eram irmãos na fé. Fortaleciam-se com palavras de poder e unção. Por isso, nas horas de desalento, lutas e de trevas, encontramos Francisco “regressando aos humildes muros de São Damião, berço de sua vocação, para buscar junto à sua filha espiritual o consolo e a confiança de que necessitava”.

“Francisco e Clara ensinam para nós que o humano se define em relações. Encontrar-se é dividir e transmitir o fervor existencial que contagia o coração. O encontro puro e límpido de Clara e Francisco está dentro de uma forte vivência, por isso é um dom gracioso. O forte Amor pelo mesmo Amado aprofunda o encontro e coloca os dois nos acontecimentos do cotidiano com maior profundidade. Isso é que ilumina o silêncio, a fala, a mesa, o fato. A chama do Amor se debruça sobre a cena para comemorar a experiência do encontro; não é só um encontro que ilumina, mas que acende”. (Vitório Mazzuco Filho[1]).


EDSON CORTASIO SARDINHA


[1] http://www.franciscanos.org.br/carisma/frei_vitorio/clara_francisco.php

Postar um comentário